Fenprof diz que há meio milhão de alunos que ainda não têm todos os professores

O problema abrange quase metade dos estudantes do país, calcula a organização sindical que diz que estão por colocar cerca de 5000 professores.

Calendário escolar aplica-se a todos os estabelecimentos de educação pré-escolar, ensinos básico e secundário.
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Calendário escolar aplica-se a todos os estabelecimentos de educação pré-escolar, ensinos básico e secundário. Carlos Lopes

A direcção da Federação Nacional de Professores (FENPROF) calculou esta segunda-feira que continuam por colocar cerca de 5000 docentes o que, diz, significa que meio milhão de alunos, quase metade do total dos que frequentam o ensino básico e secundário, não têm todos os seus professores.

“Os professores ainda a colocar não são tão poucos como pretendem fazer crer, abrangendo docentes contratados e dos quadro”, escreve a Fenprof num comonucado em que calcula que serão cerca de 5000 os que se encontram naquelas circunstâncias, contabilizando os que não chegaram às escolas devido a problemas com a Bolsa de Contratação de Escola e através da Bolsa de Recrutamento e os que ainda não foram destacados por motivos específicos, como doença. “Se, em média, cada docente tiver 100 alunos (calculando-se esse valor tendo em conta as situações de monodocência e pluridocência) cerca de meio milhão ainda não terá todos os seus professores”, justifica.

Os representantes das associações nacionais de directores disseram ao PÚBLICO que não sabem calcular o número de professores que faltam nas escolas. O MEC não respondeu ao PÚBLICO, que perguntou qual o número de docentes em falta.

No comunicado divulgado esta segunda-feira, a direcção da Fenprof enumera os problemas  que persistem nas escolas, insistindo estão por corrigir as listas de colocação através de Bolsa de Contratação de Escola; que não estão resolvidos os erros cometidos na fase de contratação inicial e de colocação de docentes com horário-zero; que subsistem as dificuldades em substituir docentes destacados ou em situação de doença; que se verifica "uma clara resistência à colocação do número adequado de docentes de Educação Especial"; e que as escolas do ensino artístico especializado ainda não têm a situação do seu corpo docente regularizada, o que, em muitas delas, significa a falta de mais de metade dos seus professores".

“Grande parte destas dificuldades resulta de um regime de concursos que foi imposto pelo Ministério da Educação e Ciência e que mereceu um profundo desacordo da FENPROF", frisa.