Miguel Oliveira da Silva é o novo director clínico de Santa Maria

Maria do Céu Machado abandonou o cargo. O obstetra Miguel Oliveira da Silva será o seu sucessor.

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A pediatra Maria do Céu Machado foi Alta Comissária da Saúde até 2010 Rui Gaudêncio
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Miguel Oliveira da Silva Raquel Esperança

A directora clínica do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (que engloba os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente), Maria do Céu Machado, entregou esta quarta-feira a sua carta de demissão ao ministro da Saúde, Paulo Macedo. O obstetra Miguel Oliveira da Silva será o seu sucessor.

A médica, que volta assim a ocupar apenas o cargo de directora do departamento de pediatria da unidade, diz que cabe ao ministério decidir se divulga as razões que a levaram a deixar um cargo que ocupava desde Fevereiro do ano passado. “Estava a tentar aguentar pelo hospital, era um esforço enorme, não é um centro hospitalar fácil”, afirmou, acrescentando que “a certa altura a situação tornou-se insustentável”. A clínica diz ter “grande admiração pelo ministro da Saúde”, notando que a conversa que teve com o governante, quando lhe entregou a sua carta de demissão, “foi muito simpática”.

Em jeito de balanço, Maria do Céu Machado diz que “são dois hospitais com problemas de organização”, em que pensa ter tido “um papel útil, considerando as dificuldades. Neste momento já não consigo continuar a ter um papel positivo”. Como nota positiva regista “o interesse acrescido dos directores de serviço [que são médicos] para a área da gestão, uma maior sensibilização para resultados em termos de produção, de gestão clínica”.

A médica ocupou diversos cargos ao longo da sua carreira. Foi, por exemplo, directora clínica do Hospital Amadora-Sintra, de 2005 a 2006, quando a unidade estava a ser gerida pelo grupo privado José de Mello Saúde, durante a primeira parceria pública-privada no país na área da saúde; foi presidente da Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente (2004-2009) e foi Alta Comissária da Saúde até ao cargo e a entidade, criados em 2007, serem extintos, em 2010, “num contexto de contenção de custos e eficácia de gestão que o novo contexto financeiro exige", informou na altura o Ministério da Saúde.

Oliveira da Silva foi convidado e aceitou
Miguel Oliveira da Silva, que é médico obstetra e ginecologista no Santa Maria desde 1982, confirma ter sido convidado e ter aceitado o cargo, não se pronunciando sobre a demissão da sua antecessora. Na sua lista de prioridades estarão “a humanização dos cuidados ao doente, não haver doentes em maca, por exemplo, a redução das listas de espera e conseguir que todos os doentes tenham os medicamentos de que precisam”. Sublinha que continuará a atender grávidas e a estar à frente da consulta de ginecologia de adolescentes, notando que, por exemplo, “as nossas salas de consulta são péssimas, e eu não me posso esquecer disso."

Miguel Oliveira da Silva foi até Julho presidente da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida, cargo que ocupou durante cinco anos, é também professor catedrático de Ética na Faculdade de Medicina de Lisboa, sendo autor de livros como Sete teses sobre o aborto; Ciência, Religião e Bioética no Início da Vida e A sexualidade, a Igreja e a Bioética.

Na sequência da notícia desta demissão, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda dirigiu ao Ministério da Saúde perguntas no sentido de serem tornadas públicas as razões da saída de Maria do Céu Machado. “Esta demissão carece de aprofundado esclarecimento, não pode ser tratada como se de uma rotineira substituição de lugares se tratasse. É preciso conhecer e avaliar os seus motivos. Estamos a falar de um dos maiores e mais diferenciados hospitais do país”, escrevem os deputados João Semedo e Helena Pinto na carta enviada esta quinta-feira. Acrescentam ainda que “não há qualquer razão que impeça o conhecimento dos motivos que levaram à demissão de Maria do Céu Machado”, pelo que perguntam a Paulo Macedo “se vai divulgar os motivos da demissão” e, “caso contrário, quais os inconvenientes que vê na sua divulgação?”. Questionado pelo PÚBLICO, o Ministério da Saúde não deu ainda qualquer resposta sobre as razões da saída.

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