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Comissão de Educação alertada para consequências de fecho de escolas na Guarda

A delegação da Guarda do SPRC convidou os elementos da Comissão de Educação, Ciência e Cultura "para se deslocarem ao distrito" e "conhecerem a realidade que as crianças enfrentam no dia-a-dia".

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Distrito da Guarda é atingido pelo despovoamento e o fecho de escolas "leva à não fixação de casais novos", alerta sindicalista Adriano Miranda

Representantes do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) na Guarda alertaram nesta quarta-feira a Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República para as consequências do fecho de escolas na região.

Uma delegação do SPRC/Guarda foi nesta quarta-feira à tarde recebida naquela Comissão, em Lisboa, após o envio de uma carta aberta onde eram denunciados problemas causados pelo fecho das escolas do 1.º ciclo do ensino básico nas aldeias do interior.

No final do encontro, a sindicalista Sofia Monteiro disse à agência Lusa que a reunião serviu para os representantes dos grupos parlamentares "perceberem que há realidades que são muito diferentes daquelas que eles vivenciam".

Referiu que o distrito da Guarda é atingido pelo despovoamento e o encerramento das escolas nas aldeias "leva à não fixação de casais novos" e obriga ao transporte das crianças para outras localidades, por "percursos sinuosos" e debaixo de "um clima agreste".

"Deixámos bem vincada a ideia de que o fecho de escolas é uma tendência que tem um fundamento economicista e não tem em mente condições pedagógicas nem o acesso à escola pública para todos", disse.

Referiu que o SPRC e os pais entendem que estando as crianças deslocadas "longe da família todo o dia e serem integradas em turmas mistas com um número máximo de 26 alunos é muito diferente da realidade que conheciam".

Em relação ao futuro, Sofia Monteiro deixou o apelo para que, na região da Guarda, os encerramentos não continuem, tendo apresentado "casos concretos" dos efeitos negativos da medida do Governo.

"Deixámos claro que não iríamos desistir de fazer valer as nossas opiniões e que tínhamos de trabalhar todos em cooperação de acordo com as especificidades das regiões e encontrar uma solução intermédia que não seja tão prejudicial para as crianças das aldeias do interior, e em especial do distrito da Guarda, que foi dos mais afectados nos últimos 13 anos", contou.

A responsável lembrou que, desde 2001, "o distrito da Guarda perdeu mais de 80% da rede escolar do 1.º ciclo do ensino básico".

No ano lectivo de 2014/2015, estavam sinalizados para fechar mais de quatro dezenas de estabelecimentos de ensino, acabando por encerrar, em todo o distrito, "apenas sete", apontou.

A delegação da Guarda do SPRC convidou nesta quarta-feira os elementos da Comissão de Educação, Ciência e Cultura "para se deslocarem ao distrito" para "conhecerem a realidade que as crianças enfrentam no dia-a-dia".

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