Bruxelas critica falta estratégia que ligue alunos ao mercado

Comissão Europeia divulgou um documento de trabalho com uma análise sintética, por país, da execução do programa europeu "Garantia Jovem".

90 mil jovens estarão abrangidos por estas medidas
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Taxa de desemprego jovem em Portugal fixou-se nos 35,5% em Julho Foto: Adriano Miranda

A Comissão Europeia considera que Portugal não tem uma estratégia clara para ligar as competências dos alunos ao mercado de trabalho e defende que deve ser facilitado o acesso dos jovens desempregados ao rendimento mínimo.

A Comissão Europeia divulgou nesta terça-feira um documento de trabalho com uma análise sintética, por país, da execução do programa europeu "Garantia Jovem". Este programa, promovido e financiado pela União Europeia, tem como objectivo incentivar o emprego e a formação dos jovens.

Segundo o documento de trabalho, em Portugal, não há “por agora nenhuma estratégia clara” para lidar com o desencontro entre as competências dos jovens e o mercado de trabalho e a falta de empregabilidade nos licenciados. A excepção é a reforma dos institutos politécnicos.

Bruxelas diz que, apesar de serem cada vez mais os jovens portugueses a terminar o ensino superior, o valor ainda continua abaixo da média europeia e que esse aumento falhou ao não aumentar "proporcionalmente o emprego dos jovens”.

A taxa de desemprego jovem em Portugal fixou-se nos 35,5% em Julho, a quinta mais elevada da Europa.

Quanto às recomendações sobre a execução do programa europeu "Garantia Jovem", a Comissão Europeia defende que Portugal tem de continuar os esforços para fazer face ao elevado desemprego jovem, referindo que para tal é preciso antecipar as competências que serão necessárias e reforçar o contacto com os jovens não registados.

Defende ainda o aumento do limite de elegibilidade dos jovens desempregados para o regime de rendimento mínimo e que seja garantida uma cobertura adequada da assistência social.

Em Portugal, este plano, apresentado no final do ano passado, dirige-se ao grupo de jovens entre 15 e 29 anos. Portugal é elegível para fundos deste programa europeu com 160,8 milhões de euros.