Nova quer atrair alunos estrangeiros para vida "californiana" em Carcavelos

Escola de economia deverá mudar-se de Lisboa para Carcavelos em 2017, quando estiver pronto o novo Campus. Será a primeira universidade pública portuguesa construída com dinheiro privado.

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Alexandre Soares dos Santos (à esq.) é um dos mecenas do projecto coordenado por Pedro Santa Clara (ao centro) Enric Vives-Rubio
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Carlos Carreiras diz que este é mais um passo para a concretização do sonho de transformar Cascais no "melhor local para viver" Enric Vives- Rubio
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Com a campanha de angariação de fundos, a BSE quer amealhar os 25 milhões de euros que faltam para completar o investimento total de 50 milhões Enric Vives-Rubio
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Restaurante é aberto a toda a população Nova SBE/DR
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Escola vai ter também um centro destinado à prática do surf Nova SBE/DR
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Complexo universitário vai ter residência para os alunos Nova SBE/DR

Sol, mar e surf: são estes os trunfos que a escola de Economia da Universidade Nova de Lisboa vai usar para atrair os estudantes estrangeiros para o novo Campus previsto para Cascais, junto à praia de Carcavelos e ao forte de S. Julião da Barra. A obra deve arrancar no primeiro trimestre de 2015 e estar pronta em 2017, mas a Nova precisa ainda de amealhar os 25 milhões de euros que faltam para financiar o projecto.

You and I can make it happen” (Tu e eu podemos fazer acontecer) é o slogan da campanha de angariação de fundos lançada pela direcção da Nova School of Business and Economics (SBE), esta terça-feira. O repto dirige-se a empresas e aos 12.000 antigos alunos, que ao apoiarem o projecto vão juntar-se aos mecenas já garantidos: o banco Santander Totta, o grupo Jerónimo Martins e o empresário Alexandre Soares dos Santos. Os três terão uma palavra a dizer sobre a gestão da escola, uma vez que farão parte da fundação a ser criada para o efeito.

“Este é um projecto inovador porque apesar de ser uma universidade pública não vai ter a contribuição do Orçamento do Estado”, disse Pedro Santa Clara, professor da SBE e coordenador do projecto. O complexo de Carcavelos, orçado em 50 milhões de euros (38 milhões para a construção e o restante para a aquisição de equipamentos e a contratação de professores), será a primeira universidade pública construída de raiz com dinheiro privado. Se a campanha de angariação de fundos não for bem sucedida, o plano B implica pedir um empréstimo ao Banco Europeu de Investimento.

Segundo Pedro Santa Clara, os três grandes patrocinadores vão contribuir com cerca de cinco milhões de euros. Para além do apoio financeiro, vão estabelecer parcerias com vista ao recrutamento de alunos da universidade, formação de quadros das empresas e desenvolvimento de centros de investigação. Em troca, a SBE vai baptizar salas com o nome dos mecenas – como o Santander Hall e o Jerónimo Martins Grand Auditorium, ou a Biblioteca Teresa e Alexandre Soares dos Santos. "Só espero que a democracia portuguesa não demore  dez anos a resolver problemas que se resolvem em cinco minutos", alertou Soares dos Santos, referindo-se à burocracia normalmente associada a projectos desta dimensão.

As novas instalações em Carcavelos vão resolver o problema da falta de espaço em Campolide. "Registámos um crescimento da procura dos nossos mestrados em 45% nos últimos anos, não temos capacidade para acolher tantos alunos", afirma Pedro Santa Clara. Só este ano, a SBE recebeu 1300 candidaturas (mais de 600 estrangeiras, com a Alemanha a liderar) para 400 vagas, para o que terão contribuído as boas classificações nos rankings internacionais. As salas antigas do Palacete Henrique Mendonça, perto do El Corte Inglés, são já pequenas.

O moderno complexo terá capacidade para acolher 3.350 utilizadores (dos quais 3.100 serão alunos). O novo Campus vai dividir-se em dois espaços estruturantes - a zona exterior, com jardins e rampas na direcção do mar, e a galeria interior - a partir dos quais se organizam os auditórios, anfiteatros e salas de aulas, a biblioteca, os serviços administrativos, as áreas de estudo a funcionar 24 horas por dia, o restaurante e as áreas desportivas (ginásio, surf house e campos de jogos).

No total, o projecto ocupa uma área de 27 mil metros quadrados, num terreno de 84 mil metros quadrados, cedido pela Câmara de Cascais na sequência de um longo processo de expropriação. Os edifícios terão no máximo três pisos acima do solo e a altura máxima das fachadas é de 15 metros. Além de um parque de estacionamento com capacidade para 541 veículos, em cave, haverá 25 lugares de parqueamento no exterior. O projecto, da autoria dos arquitectos Vítor Carvalho Araújo e António Barreiros Ferreira, inclui ainda uma residência com 123 quartos para estudantes. Mediante um acordo com a Fundação Inatel, os alunos poderão também ficar alojados na unidade de Oeiras.

"Obviamente o Campus não terá resposta para todas as necessidades. Vamos ter alunos a morar nos apartamentos privados da zona", acrescenta Pedro Santa Clara. De resto, o objectivo é aproveitar as potencialidades do concelho e o seu "estilo de vida californiano" para atrair estudantes, procurando aumentar a cota de alunos estrangeiros dos actuais 30% para 50%. "Queremos atrair para Portugal jovens talentos de todo o mundo, que desenvolvam laços com o nosso país”, diz o coordenador do projecto, acrescentando porém que não serão feitas quaisquer campanhas publicitárias. "Acreditamos no fenómeno do passa a palavra", justifica. Segundo o director da SBE, José Ferreira Machado, as atenções estão mais viradas para estudantes do Canadá, Brasil e dos países de língua oficial portuguesa.

O presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, agradece: "Não haverá nenhum dos 308 presidentes de câmara do país que não gostasse de estar num momento como este." Para o autarca, o projecto representa "uma nova centralidade não só para Cascais mas para a própria Área Metropolitana de Lisboa" e é a concretização de um sonho - o de "tornar Cascais no melhor local para se viver um dia, uma semana ou a vida inteira". A construção do Campus naquele local faz também parte de um "processo de regeneração urbana da zona de Carcavelos e Parede, que ao longo dos últimos anos tem vindo a descaracterizar o seu património", afirma.

José Ferreira Machado espera com este projecto valorizar a “indústria” do ensino superior, para que em dez anos tenha um peso no Produto Interno Bruto equivalente ao que a indústria do calçado tem actualmente.