Os Maias de João Botelho já é o terceiro filme português mais visto de 2014

Em apenas quatro dias desde a sua estreia, filme que adapta o emblemático romance de Eça de Queirós somou cerca de 14 mil espectadores.

Em apenas quatro dias de exibição, Os Maias – Cenas da Vida Romântica, de João Botelho, tornou-se o terceiro filme português mais visto do ano, com 13.915 espectadores desde a sua estreia, no dia 11. Depois de o seu trabalho anterior, Filme do Desassossego, ter circulado em formato digressão pelos cineteatros do país, o realizador e a produtora Ar de Filmes voltaram ao circuito comercial com o filme inspirado na obra de Eça de Queirós.

O filme, estreado em 12 cidades e 22 ecrãs e que deve em breve chegar a mais quatro salas, conseguiu perto de 14 mil espectadores em sala desde quinta-feira, segundo números do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA). Em 2010, Filme do Desassossego conseguiu cerca de 5600 espectadores nas duas primeiras semanas de exibição, fora do circuito comercial convencional.

Com estes números, Os Maias – Cenas da Vida Romântica não entra ainda no ranking dos 40 filmes portugueses mais vistos da última década - encimado por outra adaptação de um clássico de Eça, O Crime do Padre Amaro (2005), de Carlos Coelho da Silva e onde Filme do Desassossego ocupa a 29.ª posição -, mas consegue então instalar-se em terceiro lugar na lista dos mais vistos de 2014. A lista dos filmes nacionais estreados em 2014, com os dados contabilizados pelo ICA até 31 de Agosto, tem em primeiro lugar Sei Lá, de Joaquim Leitão (adaptação do romance de Margarida Rebelo Pinto), com 61.730 espectadores, e em segundo Ruas Rivais, de Márcio Loureiro, que chamou às salas 33.990 pessoas, de acordo com os dados contabilizados pelo ICA até 31 de Agosto.

O produtor Alexandre Oliveira, da Ar de Filmes, atribui o sucesso destes primeiros dias de exibição a uma conjugação de factores que tem à cabeça o efeito Eça de Queirós e o ensino. “Sendo uma obra obrigatória nas escolas, [a adesão do público] não é uma surpresa para nós”, admitindo que a campanha promocional do filme foi afinada nesse sentido, mas também focada em Botelho. “Desde o Desassossego que se gerou uma corrente de público à volta do João”, conta, em contraste com “um determinado cinema de autor desligado do público. O João tem conseguido fazer essa ponte”.

Os Maias - Cenas da Vida Romântica, orçamentado em 1,5 milhões de euros (600 mil de apoios públicos à produção, 170 mil da Câmara de Lisboa, 120 mil euros do congénere brasileiro do ICA – o filme vai estrear-se no Brasil e na RTP, em 2015, em formato mini-série – e mecenato do banco Montepio), beneficiou também da estreia associada ao maior exibidor português, a Nos Lusomundo, diz Alexandre Oliveira. Segundo a Lusa, em Novembro o filme vai circular pelo país e junto do público escolar, nos passos de Desassossego. “Satisfeitos com o resultado”, os membros da equipa de Os Maias esperam agora “que o filme mantenha este ritmo”, contando com o tal público de Botelho, mas também com as audiências dos multiplexes e com as escolas.