Homens que tentaram matar Malala detidos no Paquistão

Jovem paquistanesa tornou-se uma voz pela paz reconhecida internacionalmente.

Desde o ataque, Malala ampliou a sua voz pelo mundo em defesa dos direitos humanos
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Desde o ataque, Malala ampliou a sua voz pelo mundo em defesa dos direitos humanos PAUL ELLIS/AFP

O exército paquistanês anunciou esta sexta-feira que deteve dez homens suspeitos de terem estado envolvidos na tentativa de homicídio de Malala Yousafzai, em 2012, num ataque que foi revindicado por rebeldes islamitas taliban. A jovem paquistanesa, na altura com 14 anos, regressava da escola, em Mingora (na região do vale de Swat), quando foi atingida por tiros no pescoço e na cabeça, ficando gravemente ferida.

Numa conferência de imprensa em Rawalpindi, perto de Islamabad, citada pela agências noticiosas, o porta-voz do exército, o general Asim Bajwa, avançou que foram detidos dez homens durante um ataque conjunto de militares, polícia e serviços de segurança no âmbito da ofensiva militar lançada em Janeiro contra os Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), a cúpula do movimento taliban paquistanês, e outros grupos extremistas na região noroeste do país, junto à fronteira com o Afeganistão.

O general Bajwa indicou que os homens detidos pertencem ao TTP e atacaram Malala por ordem do mullah Fazlullah. Dois homens forçaram a paragem do autocarro em que Malala e outros jovens seguiam, identificaram a aluna e dispararam sobre ela e outros passageiros. Além de Malala, o “grupo tinha uma lista de outros 22 alvos”, considerados opositores ao regime taliban, revelou o porta-voz do exército.

O pai de Malala, Ziauddin Yousafzai, comentou a detenção dos suspeitos, que considerou ser o "início de verdadeira esperança para centenas de milhares de pessoas cujas vidas foram afectadas pelo terrorismo em Khyber Pakhtunkhwa, Swat e todo o país". "Estas são boas notícias para a nossa família e mais importante para o povo do Paquistão e o mundo civilizado", reforçou.

O activismo de Malala pela defesa do direito das crianças à educação, principalmente das raparigas, começou aos 11 anos. Foi convidada pela BBC urdu para escrever num blogue e contar a o dia-a-dia em Swat, sob forte controlo taliban desde 2007. O seu nome começou a ser associado à resistência contra os extremistas e acabou por ser alvo de um ataque há dois anos.

Desde esse ataque, que deixou Malala gravemente ferida, obrigando ao seu internamento num hospital britânico para ser submetida a uma delicada cirurgia à cabeça, a jovem paquistanesa tornou-se um símbolo de coragem e resistência.

O seu nome foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz e, no ano passado, foi o escolhido para receber o Prémio Sakharov dos direitos humanos da União Europeia. "O Parlamento Europeu saúda a força incrível desta jovem mulher", declarou na altura o presidente Martin Schulz.

Malala voltou a surpreender quando em Julho do ano passado fez um discurso na assembleia-geral das Nações Unidas, no dia em que cumpria o seu 16º aniversário, no qual afirmou que os taliban não a vão fazer cair no silêncio. "Não estou aqui para falar de vingança pessoal contra os taliban, (...) estou aqui para defender o direito à educação para todas as crianças", disse. "Um aluno, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. A educação é a única solução. Educação primeiro."

Desde que recuperou dos ferimentos tem sido convidada pelas principais organizações mundiais de defesa dos direitos humanos para participar em conferências e foi recebida por altas individualidades, como o Presidente norte-americano, Barack Obama, ou a rainha Isabel II.

Após ter tido alta hospitalar no Reino Unido, os pais de Malala ainda pensaram regressar ao Paquistão, mas o risco para a segurança da jovem de novos ataques extremistas levaram a família a reconsiderar. Actualmente, vivem na cidade inglesa de Birmingham. O pai conseguiu um cargo na área da educação no consulado paquistanês.