Novos donos da fábrica da Danone reforçam investimento na unidade de Castelo Branco

Norte-americana Schreiber Foods aumentou capacidade de produção e construiu uma linha piloto para testar novos produtos

Antiga fábrica da Danone emprega cerca de 100 trabalhadores
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Antiga fábrica da Danone emprega cerca de 100 trabalhadores Adriano Miranda

Depois de ter sido vendida à multinacional norte-americana Schreiber Foods, a antiga fábrica da Danone em Castelo Branco vai produzir pela primeira vez iogurtes para outras marcas. A estimativa da empresa é de colocar os primeiros destes produtos no mercado entre Outubro e Novembro.

Desde meados de Fevereiro, a multinacional aumentou a capacidade de produção e criou uma nova fábrica piloto. “Nos últimos sete meses [desde que a compra se formalizou] temos integrado os nossos processos e preparado a fábrica para que seja possível produzir produtos com a marca dos nossos clientes”, começa por dizer Andrew Tobisch, director de comunicação da empresa norte-americana. Isto implicou investimentos no aumento de capacidade e numa nova linha de produção. “A fábrica piloto permite-nos fazer testes escaláveis de produtos que produzimos ou possamos vir a produzir nas nossas unidades europeias”, continua, não adiantando os valores do investimento.

Este foi o primeiro investimento da Schreiber em Portugal que considera Castelo Branco como um activo “importante” para os planos de expansão do negócio na Europa. Andrew Tobisch não adiantou para que marcas a unidade também está a fabricar. “Produzimos os produtos dos nossos clientes, não os nossos, por isso não seria apropriado falar dos nossos clientes, nas suas marcas ou na tecnologia que estamos a utilizar”, justifica Andrew Tobisch.

A antiga fábrica da Danone emprega cerca de 100 trabalhadores e é o maior pólo industrial da Beira Interior. Era apontada como um exemplo dentro do grupo francês e, em 2010, estava entre as cinco melhores unidades a nível mundial (a Danone tinha 49 fábricas). Só em investimento, acumulou nove milhões de euros nos últimos cinco anos, começando a exportar para a Europa. Com a venda à Schreiber Foods, no final de 2013, deixou de ter linhas de produção unicamente dedicadas aos iogurtes líquidos e sólidos de marca Danone, que abastecem 70% do mercado nacional. 

A venda da unidade foi a forma que a empresa francesa encontrou de manter os postos de trabalho e a actividade industrial no país. A medida está incluída num plano de contenção de custos e optimização de recursos que precipitou a decisão e levou a multinacional de origem francesa a prescindir da fábrica que comprou em 1989 à Iophil, da família Gomes Filipe.Os iogurtes Danone vendidos em território nacional vão continuar a ser produzidos em Castelo Branco.

Quando comprou a unidade portuguesa, a Schreiber Foods também ficou com as fábricas da Danone na Bulgária e na República Checa, que se juntaram a uma lista que inclui Estados Unidos, Áustria, Brasil, Alemanha, Índia, México e Uruguai . Actualmente, é o maior produtor do mundo de lacticínios de marca própria (ou seja para outras empresas) e fornece queijo e iogurte para restaurantes de fast food, cadeias de grande distribuição ou grossistas.