Moedas vai gerir 80 mil milhões como novo comissário da Investigação, Ciência e Inovação

França, Reino Unido e Alemanha ficam com pastas económicas-chave.

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Carlos Moedas foi a primeira escolha de Passos para comissário Rui Gaudêncio

A Inovação e a Investigação são a chave para o crescimento que queremos na Europa: um crescimento sustentável que promova a qualidade de vida dos europeus", afirmou Carlos Moedas, num comunicado divulgado em Bruxelas, após o anúncio oficial da Comissão liderada por Jean-Claude Juncker. Estas áreas “são a chave para aumentarmos a produtividade e dinamismo das nossas empresas, para competirmos pela excelência e não pelos baixos custos”, acrescentou o português, que chegou a ser apontado para a pasta do Emprego.

Os comissários indicados pela França, Alemanha e Reino Unido ficam com as principais pastas da área económica. O socialista francês Pierre Moscovici, antigo ministro das Finanças, será o responsável pelos assuntos económicos e financeiros. O britânico Jonathan Hill, antigo líder dos conservadores na Câmara dos Lordes, chefe de ganinete de John Major na década de 1990, responde pela estabilidade financeira, serviços financeiros e mercados de capitais. O democrata-cristão alemão Gunther Oettinger, que na Comissão liderada por Durão Barroso teve a energia, passa para a economia digital.

Juncker, ex-primeiro-ministro do Luxemburgo e ex-presidente do Eurogrupo, tem na sua Comissão - formada por 19 homens e nove mulheres - cinco antigos chefes de Governo, quatro vice-primeiros-ministros e 19 antigos ministros. Sete dos nomes da sua equipa transitam da "Comissão Barroso".

O primeiro vice-presidente é o holandês Frans Timmermans, diplomata de carreira, que tem sido ministro dos Negócios Estrangeiros, de centro-esquerda, apresentado por Juncker como o seu "braço direito". Fica com a regulação, relações interinstitucionais e a subsidariedade. São criadas sete vice-presidências que sinalizam as prioridades da União Europeia. Os seus titulares terão funções de supervisão das respectivas áreas. Três das vice-presidênias serão ocupadas por mulheres. Há dias tinha já sido indicada para a chefia da política externa da União Europeia a italiana Federica Mogherini, de centro-esquerda, também vice da Comissão.

Entre os outros "vices" estão o antigo chefe do Governo finlandês de centro-direita Jyrki Katainen, comissário cessante de assuntos económicos e monetário e do euro, que terá agora a seu cargo o emprego, crescimento e competitividade; e o letão Valdis Dombrovskis, ex-primeiro-ministro de centro-direita, considerado um adepto da austeridade orçamental, que fica com as política do "euro" e o "diálogo social". "Cooperará estreitamente com Moscovici", disse Juncker, na conferência de imprensa em que apresentou a sua equipa.

Os outros vice-presidentes são a búlgara Kristalina Georgieva, de centro-direita, que foi vice-presidente do Banco Mundial. Ficará com o orçamento e recursos humanos, depois de ter sido no mandato que agora chega ao fim comissária da cooperação internacional, ajuda humanitária e situações de crise. O estónio Andrus Ansip, de centro-direita, ex-primeiro-ministro que levou a o seu país à zona euro, em 2011, tutela o mercado único digital; a eslovena Alenka Bratusek, antiga vice-chefe do governo do seu país, para a união energética.

Pastas também importantes são as que serão ocupadas pelo antigo ministro espanhol da agricultura Miguel Arias Cañete - clima e energia - pela sueca Cecilia Malmström -  comércio -  e pela liberal dinamarquesa Margrethe Vestager - concorrência. Malmström é a comissária cessante dos assuntos internos. O mercado interno, a indústria, o empreendedorismo e as pequenas e médias empresas são o pelouro da vice-primeira-ministra polaca, Elzbieta Bienkowska.

O irlandês Phil Hogan, de centro-direita, fica com a agricultura e o desenvolvimento rural. A belga Marianne Thyssen,  antiga líder dos democratas-cristãos flamengos, viu ser-lhe confiada a pasta do emprego, assuntos sociais e mobilidade laboral. O comissário do ambiente, assuntos marítimos e pescas será Karmenu Vella, ex-ministro de centro-esquerda em Malta.

Os transportes são a pasta do eslovaco Maros Sefcovic, diplomata de carreira e vice-presidente em exercício da Comissão, com o pelouro das relações entre instituições europeias. O grego Dimitris Avramopoulos, de centro-direita, ex-ministro da Defesa e antigo presidente da câmara de Atenas, foi nomeado para a imigração e assuntos Internos. A checa Vera Jourová, de centro-direita, fica com a justiça, consumidores e igualdade de género. E o húngaro Tibor Navracsics, do partido de direita Fidesz, ex-ministro da Justiça e antigo primeiro-ministro, terá a seu cargo educação, cultura, juventude e cidadania.

O pelouro do alargamento da UE cabe ao austríaco Johannes Hahn, de centro-direita, comissário cessante da política regional, que foi entregue à romena Corina Cretu, de centro-esquerda. A cooperação e desenvolvimento têm como titular o croata Neven Mimica, comissário cessante da protecção do consumidor, político de centro-esqueda e diplomata que participou nas negociações para adesão à União Europeia. O socialista lituano Vytenis Andiukaitis será na futura equipa o comissário da saúde e segurança alimentar.  O cipriota Christos Stylianides, de centro-direita, antigo porta-voz governamental, tutelará a ajuda humanitária e a gestão de crises.

A  "Comissão Juncker" deve entrar em funções 1 de Novembro. Os nomes terão ainda de ser aprovados pelo Parlamento Europeu, depois de audições a cada um dos comissários.

Comentário de Teresa de Sousa: Juncker conseguiu uma Comissão política e inteligente