Teatro Nacional São João anuncia sete estreias até Dezembro

Uma programação que junta cinema, teatro, dança e novo circo.

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Teatro Nacional de S. João quando estava em obras Adriano Miranda

Exactamente esta segunda-feira, pelas 21h30, pode ser vista a antestreia de Os Maias, Cenas da Vida Romântica, um filme realizado por João Botelho que reconheceu a “dificuldade” em tocar numa obra “tão intocável” como a de Eça de Queirós e desafiou o público “a ver a película e ir para casa preencher os buracos que faltam” face ao livro.

Colocando em evidência as performances de artistas nacionais e internacionais, vai seguir-se, de terça-feira a dia 18, a mostra de processos MAP/P no Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV), espaço que a par do TNSJ e do Teatro Carlos Alberto (TeCA) completa os três palcos que durante estes meses vão receber um total de 15 espectáculos.

Entre 18 de Setembro e 5 de Outubro estará em cena Pílades, de Pier Paolo Pasolini, encenada por Luís Miguel Cintra. “[É uma] peça profundamente política que luta por afirmar a maneira de ver a política. Pretende-se conduzir a uma renovação”, descreveu.

Já o autor e encenador Gonçalo Waddington confessou esta segunda-feira estar numa fase “muito apaixonada” pela obra de Proust, da qual nasceu a peça Albertine, O Continente Celeste, um espectáculo que estará em cena no TeCA de 26 deste mês a 5 de Outubro.

“Se quisermos fazer alguma ponte por exemplo entre a peça de Pasolini que revisita a tragédia grega com o teatro comunitário onde no fundo são convocadas 150 pessoas da cidade, podemos perguntar se essas pessoas são ou não o coro da contemporaneidade. E podemos falar da relação da arte com a ciência em vários”, resumiu Nuno Carinhas à margem da apresentação.

Os 150 convocados, aos quais se referia, em declarações à Lusa, são os membros de cinco grupos teatrais das zonas oriental, ocidental e central do Porto que interpretam Mapa - O Jogo da Cartografia, peça da associação PELE que pode ser vista entre 31 de Outubro e  2 de Novembro no MSBV.

Relativamente à ciência, Carinhas falava da peça Biodegradáveis com texto original de Ana Vitorino e Carlos Costa, que entre  6 e 16 de Novembro pisa o TeCA, enquanto o MSBV acolhe Caixa 3 Bobina 5, a Última Bobina de Beckett, do dramaturgo Jorge Palinhos, de 7 a 16 do mesmo mês.

“Todos os autores são contemporâneos, ou seja do Século XXI. Ou experiências de elaboração de textos porque não são espectáculos de dramaturgias já feitas mas são textos que reflectem contemporaneidade”, vincou Nuno Carinhas.

A par da apresentação de uma programação que junta cinema, teatro, dança e novo circo, a presidente do Conselho de Administração do TNSJ, Francisca Fernandes, aproveitou para dar conta de que os objectivos anuais estão a ser “superados” pois é “expectável” um aumento de 3% de valor de bilheteira face a 2013.

Durante o primeiro semestre deste ano foram 67 mil as pessoas que passaram pelos espaços do TNSJ, cuja obra de restauro da fachada do edifício principal é inaugurada, anunciaram os responsáveis, sexta-feira.