Marina Silva sobe nas sondagens e já empata com Dilma na primeira volta

Candidata ecologista, que já apresentou o seu programa de governo, ameaça cada vez mais a actual Presidente, que viu a economia entrar em recessão.

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Marina Silva ameaça cada vez mais Dilma Rousseff e Aécio Neves está cada vez mais fora da corrida Miguel SCHINCARIOL/AFP

Os números da Datafolha são um feito extraordinário para a política ecologista, que assumiu a liderança da coligação há duas semanas, depois da morte de Eduardo Campos, e um pesadelo político para a Presidente, que corre cada vez mais riscos de não ser reeleita: num cenário de segunda volta entre as duas, o triunfo cai para Marina, com 50% das intenções de voto, contra 40% de Dilma.

Esta é a segunda grande sondagem que dá a vitória a Marina Silva numa eventual segunda volta com Dilma Rousseff, depois de esta semana um estudo de opinião do Ibope ter igualmente dado o triunfo à candidata do PSB. Em relação ao último estudo da Datafolha, Marina subiu 13 pontos percentuais, enquanto a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT) caiu dois pontos.

Em piores lençóis do que Dilma está Aécio Neves, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que poderá ficar de fora da segunda volta pela primeira vez desde que o seu fundador, Fernando Henrique Cardoso deixou a presidência, em 2002. A Datafolha atribui-lhe 15% das intenções de voto, menos cinco pontos percentuais do que no anterior estudo. A terceira posição deixa a sua campanha numa situação delicada, quer em termos das alianças políticas, quer no importante quesito do financiamento eleitoral: em público, o candidato mineiro mantém o optimismo, mas a imprensa brasileira escreve sobre a “confusão” instalada entre as suas hostes.

Os tucanos apostam em mais reviravoltas na campanha até ao dia da eleição, 5 de Outubro. Os últimos desenvolvimentos levaram o partido a alterar a sua estratégia, virando o holofote das críticas contra Marina, mas sem perder o foco na Presidente. Segundo a Folha de São Paulo, Aécio vai posicionar-se como a “alternativa segura” entre a Presidente “que fracassou” e uma candidata “incipiente”, embora cheia de “boas intenções”.

O sucesso eleitoral de Marina torna-se ainda mais impressionante se se atender ao facto de que, quando foi realizada a sondagem, a candidata ainda não tinha apresentado o seu programa de governo. O documento, com 242 páginas, foi tornado público na noite de sexta-feira, e contém algumas surpresas: uma das principais tem a ver com o apoio a uma alteração legislativa em trâmite no Congresso para autorizar o casamento de casais homossexuais.

Marina Silva, que é missionária da Igreja Assembleia de Deus, nunca escondeu que discorda da união entre pessoas do mesmo sexo. Mas em campanha, a candidata faz questão de frisar que as suas convicções religiosas são pessoais e não interferirão na governação – nenhum candidato defende de forma mais veemente a laicidade do Estado brasileiro, consagrada na Constituição. “Como Presidente, o meu compromisso é que os direitos civis de todas as pessoas sejam respeitados”, prometeu.

A subida de Marina Silva nas sondagens não é a única má notícia para Dilma Rousseff. Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou que o Brasil entrou em “recessão técnica”, o termo utilizado quando o Produto Interno Bruto de um país cai em dois trimestres consecutivos.

Depois de uma quebra de 0,2% no primeiro trimestre, o PIB brasileiro voltou a cair (0,6%) no segundo. Como nota a Folha de São Paulo, estes são os últimos dados da economia brasileira revelados antes das eleições presidenciais, o que coloca ainda mais pressão sobre Dilma Rousseff.