Sangue novo para estancar hemorragia antes da Albânia

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Paulo Bento não vai poder contar com Cristiano Ronaldo no primeiro jogo de apuramento para o Euro 2016, que será disputado em França FRANCISCO LEONG/AFP

Cristiano Ronaldo é a grande baixa da selecção portuguesa no início do ataque ao Europeu 2016. Mas há outros pesos-pesados de fora da convocatória, que acolhe três promessas que brilharam em Setúbal

Por força das circunstâncias, mas também das escolhas de Paulo Bento, Portugal vai iniciar a saga do acesso ao Campeonato da Europa de 2016 com sangue novo. Privado da jóia da coroa por precaução, de uma ou outra peça-chave por lesão e de alguns habitués por opção, o seleccionador nacional introduziu oito alterações na convocatória, quando comparada com a do Mundial 2014. Entre os novatos, a média de idades fica-se pelos 21 anos.

Baixa de vulto número um: Cristiano Ronaldo. "Independentemente de ter competido com alguma regularidade, neste momento não está em condições de o fazer. Tendo nós essa informação no departamento médico, optámos por não o convocar", justifica Paulo Bento, quatro dias depois de o recentemente designado melhor jogador da Europa ter alinhado (e marcado) no jogo inaugural da Liga espanhola para o Real Madrid, frente ao Córdoba. No final desse encontro, de resto, também o treinador dos merengues, Carlo Ancelotti, assumiu que o avançado "ainda não está em óptimas condições".

O máximo goleador da história da selecção não é, porém, a única ausência de peso, já que Bruno Alves ainda recupera de uma lesão contraída ao serviço do Fenerbahçe e está fora dos planos para o encontro com a Albânia, no dia 7, em Aveiro. Com mais esta baixa, Portugal perde o segundo defesa com mais internacionalizações de sempre (75), só atrás de Fernando Couto (110).

Um cenário que é agravado pelas lesões de Ruben Amorim e Beto, ainda que nenhum deles seja um indiscutível para Paulo Bento, e pela decisão de abdicar de Varela e dos avançados Hélder Postiga e Hugo Almeida, ambos clientes regulares da selecção principal.

Contas feitas, Portugal troca experiência por irreverência. Em conjunto, os oito ausentes somam quase dois terços (364) do total de internacionalizações dos 24 eleitos para esta partida (561). E os oito substitutos disputaram apenas nove encontros pela equipa A, em que seis ainda nem sequer se estrearam.

Entre eles, contam-se as três maiores novidades do cardápio: Ruben Vezo (defesa central), Pedro Tiba (médio) e Ricardo Horta (avançado). Em comum têm o facto de terem brilhado ao serviço do Vitória de Setúbal na temporada passada e de já terem dado o salto, dois deles para Espanha.

Este trio, de 20, 25 e 19 anos respectivamente, é acompanhado do guarda-redes Anthony Lopes (23), do médio André Gomes (21) e dos atacantes Ivan Cavaleiro (20) e Bruma (19), rostos de uma nova geração de jogadores que poderá assinalar o início de um ciclo de renovação na selecção, depois do fracasso registado no Mundial do Brasil.

"É normal, após cada fase final, haver mudanças. Estes jogadores são os que nós entendemos que estão em melhores condições para este jogo. Neste momento, a opção técnica recaiu sobre estes atletas, mas em Outubro logo veremos", explicou Paulo Bento, que também incluiu Adrien Silva no lote. "Bruma já esteve connosco. Adrien, Ruben Vezo, Pedro Tiba, Ricardo Horta e André Gomes estão relacionados com o trajecto natural dos jogadores", justificou.