Os arquivos de Antonio Tabucchi na Biblioteca Nacional de França

Le fil de l'écriture inaugura no próximo dia 21 de Setembro.

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Le fil de l'écriture reúne os manuscritos de Tabucchi, que gostava de escrever à mão em cadernos escolares pautados DULCE FURTADO/ARQUIVO

A Biblioteca Nacional de França (BNF) inaugura no dia 21 de Setembro uma grande exposição sobre a vida e a obra de Antonio Tabucchi (1943-2012), centrada nos arquivos do escritor, recentemente doados à instituição pela sua viúva, Maria José de Lancastre. Le fil de l’écriture, que vai estar na Galeria dos Doadores da BNF até 9 de Novembro, reúne diversos manuscritos, uma selecção da correspondência de Tabucchi com escritores de todo o mundo, edições dos livros escritos e traduzidos pelo autor de Afirma Pereira (1994), documentos vários relacionados com os filmes e espectáculos teatrais baseados nas suas obras, mas também fotografias, excertos de vídeos, cartazes, ou ainda testemunhos das suas posições cívicas e da sua actividade como colunista, em jornais europeus como o El País ou o Corriere della Sera.

O fio condutor desta exposição é, no entanto, o conjunto dos cadernos de trabalho de Tabucchi, que gostava de escrever à mão em cadernos escolares pautados. É através deles que o visitante é convidado a seguir não apenas o percurso criativo deste italiano fascinado por Fernando Pessoa, mas também as suas deambulações geográficas e afectivas. E algumas das páginas agora expostas em Paris levantam também o véu sobre os métodos de trabalho do ficcionista, mostrando esquemas preparatórios dos seus romances e novelas.

Nascido em Pisa em 1943, é precisamente em Paris que Antonio Tabucchi se cruza pela primeira vez, nos anos 60, com a obra de Fernando Pessoa, mais precisamente com a tradução de Pierre Hourcade da Tabacaria de Álvaro de Campos. Pode dizer-se, sem receio de exagero, que esse encontro intelectual marcou a sua vida. Foi por isso que estudou português e acabou por se tornar professor universitário de língua e literatura portuguesas.

Em 1969 formou-se com uma tese sobre O surrealismo em Portugal, e no ano seguinte casou-se com a portuguesa Maria José de Lancastre, autora da primeira fotobiografia de Fernando Pessoa. Em 2004, Tabucchi adquiriu a nacionalidade portuguesa, a par da italiana. Morreu de cancro em 2012, deixando cerca de 30 obras, entre ficção e ensaio. Alguns dos seus livros mais conhecidos e traduzidos são Nocturno Indiano (1984), adaptado ao cinema por Alain Corneau, O Fio do Horizonte (1986), que está na base do filme homónimo de Fernando Lopes (e cujo título ecoa no nome desta exposição), ou Afirma Pereira, que deu origem ao filme de Roberto Faenza com Marcello Mastroianni.