PSD quer saber se ex-administradores readmitidos no Novo Banco estão isentos de culpa no BES

Banco de Portugal esclarece que os dois gestores se mantêm suspensos e que não interferem na gestão diária do Novo Banco

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A pergunta é dirigida ao governador do Banco de Portugal Hugo Correia/Reuters

O deputado do PSD Sérgio Azevedo quer saber qual o “fundamento” da decisão do Banco de Portugal de permitir que os antigos administradores do extinto BES, Joaquim Goes e António Souto, colaborem com o Novo Banco, depois de terem sido suspensos por aquele regulador em Julho passado.

A pergunta parlamentar, apresentada nesta sexta-feira, surge depois de o Expresso ter noticiado que os dois administradores estão a assessorar o Novo Banco, com uma autorização do Banco de Portugal, que os tinha suspendido após a apresentação de prejuízos recorde da instituição. Os dois gestores, segundo a mesma notícia, escreveram ao governador do Banco de Portugal a explicar que não poderiam ter responsabilidades na situação do BES por terem assumido os cargos recentemente.

Numa pergunta parlamentar dirigida ao Banco de Portugal, o deputado social-democrata quer saber “qual o fundamento que serve de base para o recuo da decisão” daquela instituição para permitir que Joaquim Goes e António Souto “voltem a colaborar” com a instituição financeira. Sérgio Azevedo quer ainda saber qual o grau de envolvimento dos antigos administradores na gestão do Novo Banco e se o Banco de Portugal “pode garantir” que os dois antigos gestores – responsáveis pelos pelouros de compliance e áreas de risco e recuperação de crédito – “estão isentos de responsabilidade na gestão do Banco Espírito Santo”.

Ainda não há conclusões  da auditoria forense que está a decorrer à gestão do BES. Isso mesmo refere uma nota de esclarecimento entretando emitida pelo Banco de Portugal, a propósito desta pergunta. O Banco de Portugal garante que os dois administradores “não estão em funções que interfiram com a gestão diária do Novo Banco” e que se mantêm "suspensos de funções no BES, S.A". 

Relativamente a Joaquim Goes, o gestor foi suspenso como administrador do BES, mas manteve-se como director e foi nessa qualidade que transitou para o Novo Banco  (tal como os outros trabalhadores), segundo a nota do Banco de Portugal, acrescentando que o mesmo ex-administrador “está envolvido num projecto do Novo Banco de reformulação da oferta comercial em conjunto com uma consultora nomeada pela Administração”.

Já no caso de António Souto, o Banco de Portugal revela que se reformou do BES “aquando da suspensão” e que “nunca foi quadro do Novo Banco”. O antigo administrador “actualmente está num regime de colaboração temporária, em regime de prestação de serviços, no processo de transição para a nova Administração dos assuntos referentes ao segmento de empresas”, segundo a mesma nota.

Esta é a primeira pergunta parlamentar avançada pela maioria parlamentar PSD-CDS sobre o caso do BES. Já é certo que será proposta (pelo PCP) e aprovada a criação de uma comissão parlamentar sobre o assunto.

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