Trinta anos depois da sua morte, um acontecimento: François Truffaut

A Cinemateca Francesa dedica ao realizador de Os 400 Golpes o melhor da sua temporada, com uma grande exposição e uma retrospectiva integral.

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O "acontecimento" François Truffaut começa a 8 de Outubro

Se a melhor maneira de celebrar o cinema é mostrá-lo, então a Cinemateca Francesa prepara-se para fazer exactamente isso ao assestar os holofotes na obra de François Truffaut. Figura capital do cinema da segunda metade do século XX, um dos “jovens turcos” da crítica dos Cahiers du Cinéma responsável pela formulação da “política dos autores”, um dos dois pólos centrais da Nouvelle Vague francesa com Jean-Luc Godard, Truffaut dizia querer rodar 30 filmes e depois retirar-se para escrever. Mas rodou apenas 25 antes da sua morte, aos 52 anos, de um tumor cerebral. Entre eles estão clássicos como Os 400 Golpes, Jules e Jim, O Menino Selvagem, A Noite Americana ou O Último Metro – todos no centro do “acontecimento” que é a temporada dedicada pela Cinemateca Francesa a Truffaut a partir do próximo dia 8 de Outubro.

O “acontecimento”, que assinala os 30 anos da morte de Truffaut, assume uma variedade de formas, a começar por uma grande exposição, patente de 8 de Outubro a 25 de Janeiro, montada a partir dos arquivos do realizador depositados pelos seus herdeiros na Cinemateca Francesa – guiões de trabalho, cadernos de apontamentos, correspondência, objectos pessoais, cartazes, fotos de rodagem. Em simultâneo, até 30 de Novembro, decorre uma retrospectiva integral dos filmes de Truffaut, curtas incluídas, acompanhada por dois ciclos complementares: À Volta de Truffaut, reunindo obras que produziu ou nas quais colaborou (como, por exemplo, O Acossadode Godard, para o qual escreveu o argumento), e Depois de Truffaut, com filmes posteriores a 1984 de algum modo influenciados ou inspirados pelo seu cinema (com obras de Léos Carax, Olivier Assayas, Arnaud Desplechin ou André Téchiné, entre outros). Haverá ainda conferências dedicadas ao realizador e um catálogo organizado pelo crítico e director da Cinemateca Serge Toubiana; como bónus extra, os filmes de Truffaut vão ser editados em DVD pela MK2 e rodar pelo circuito de exibição francês, com O Último Metro a ter reposição alargada numa nova cópia restaurada. E a Cinemateca lançará no início de Outubro um site específico sobre o realizador, em forma de “diário íntimo”, espécie de complemento on-line às múltiplas actividades propostas.

Prometem-se ainda, para o Outono, ciclos dedicados a Sergio Leone, John McTiernan e Phil Karlson, antes de Truffaut dar lugar a uma exposição dedicada a Michelangelo Antonioni e a ciclos sobre John Ford ou Alexei Guerman.

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