Torne-se perito

O vídeo e a cidade (featuring Merce Cunningham)

A sexta edição do Fuso – Anual de Vídeo Arte Internacional de Lisboa começa no dia 27.

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Assemblage, que mostra Merce Cunningham a dançar em São Francisco ao som de John Cage e David Tudor, é uma descoberta recente

É já na próxima quarta-feira, dia 27 que a vídeo arte sai da galeria e do museu para ir dar uma volta ao jardim e assomar ao terraço. Até em claustros Lisboa recebe a sexta edição do Fuso, festival anual que tem este ano uma cereja transversal no bolo nocturno do vídeo ao ar livre: Assemblage (1968), documento tido como perdido e muito poucas vezes visto e que agora foi recuperado para mostrar o bailarino e coreógrafo Merce Cunningham filmado por Richard Moore num evento público em São Francisco, com banda sonora de John Cage, David Tudor e Gordon Mumma.

É uma pérola trazida por Lori Zippay, directora da distribuidora nova-iorquina de vídeo experimental e interactivo Electronic Arts Intermix, uma das programadoras do Fuso a par do artista plástico português João Onofre e da curadora e directora da Associação Cultural Videobrasil Solange Farkas, além do artista e curador Mario Gutiérrez Cru. Juntam-se-lhes a directora do festival INVIDEO de Milão, Sandra Lischi, e Conrado Uribe, director artístico do Festival LOOP 2014 – sucessivas portas abertas para a internacionalização dos trabalhos apresentados no Fuso.

Tudo começa na Praça do Carvão do Museu da Electricidade, com os filmes seleccionados por Jean-François Chougnet e pelo júri da Open Call dedicada aos artistas portugueses que navegam pelo vídeo – concorreram mais de 120 obras de tema livre, reflectindo, segundo a organização, a “primeira geração que nasceu no advento destes desenvolvimentos tecnológicos”, a importância da performance e a relação com o corpo. No claustro, vão mostrar-se em duas secções, Intervenções e Apropriações. Seleccionados foram cerca de 25 projectos de artistas como Ana Borralho & João Galante com André Uerba ou Miguel Bonneville, todos candidatos ao Prémio Aquisição Fuso – Fundação EDP para a melhor obra.

Depois, cada dia até 31 de Agosto será ocupado com as selecções dos programadores em locais tão diversificados como o Claustro do Museu Nacional de História Natural e da Ciência (João Onofre e os filmes de artistas contemporâneos que são “presença obrigatória na sua playlist privada”, segundo a nota de imprensa do Fuso), os jardins do Museu do Chiado (dia 29, Sandra Lischi compila obras de não-ficção recentemente apresentadas no INVIDEO de artistas como Ursula Ferrara ou David Anderson, e Gutiérrez Cru explora Politics/Poetics, trabalhos que dialogam com conflitos reais) ou do Museu Nacional de Arte Antiga (dia 30, Conrado Uribe mostra seis obras de sete artistas que passaram pelo seu LOOP e Lori Zippay mostra então a raridade Assemblage às 23h15) e nas ruínas do Museu Arqueológico do Carmo (dia 31, programação de Farkas sobre Narrativas de Experiência Sensível, reunindo quatro artistas oriundos de Irão, Peru, México e Chile). A entrada é sempre gratuita.

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