Veteranos, estrelas recentes, descobertas: um caleidoscópio pop em Vodafone Paredes de Coura

Na vila minhota o público teve direito, desde sábado, a concertos na vila. Esta quarta-feira é o arranque a sério. Até sábado, veremos James Blake, Franz Ferdinand, Mac DeMarco, Beirut ou Thurston Moore

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Concerto dos dos Prodigy em 2010 no Festival de Paredes de Coura Paulo Pimenta

O festival começa esta noite de quarta-feira na zona verde da praia fluvial do Taboão, espaço aberto ao público desde o anfiteatro natural que acolhe o palco principal, à tenda gigante do palco dito secundário, ao relvado na margem do rio Coura, ideal para o descanso da tarde. Esta quarta-feira, o Vodafone Paredes de Coura abre as suas portas a Janelle Monáe, Capicua, Cage The Elephant, Public Service Broadcasting e, surpresa de última-hora, um DJ set dos Cut Copy, que actuarão sexta-feira.

Serão deles, a partir das 21h, no palco principal, os concertos do primeiro dia de um festival que, até sábado, acolherá um caleidoscópio particularmente feliz da música popular urbana da actualidade: James Blake, Franz Ferdinand, Black Lips, Thurston Moore, Thee Oh Sees, Beirut ou Kurt Vile são alguns dos destaques.

Oficialmente, o Vodafone Paredes de Coura arranca esta quarta-feira. Na vila minhota, porém, já se vive o festival desde sábado, através da festa antes da festa que foi o Sobe à Vila. Nos últimos dias, Xinobi, Moullinex, First Breath After Coma, Mirror People ou Holy Nothing ofereceram música ao público que já se aglomera no campismo, na vila e nos seus arredores. A organização espera que a afluência ultrapasse a de anos anteriores, fixando-se nos 28 mil espectadores diários, facto que levou a um aumento da zona reservada ao campismo. A confirmar-se, tal será reflexo da implantação do Vodafone Paredes de Coura no coração melómano português (e também um pouco no dos galegos, presença habitual e crescente), fruto de uma conjugação feliz entre o deslumbrante espaço que o acolhe e a definição da sua identidade enquanto palco para os nomes de que é feito o presente da cultura pop, nas mais diversas áreas, e daqueles que lhe construíram o passado.

Em anos anteriores, passaram por Paredes de Coura os Arcade Fire, Nick Cave & The Bad Seeds, Nine Inch Nails, Pulp ou Belle & Sebastian. Mas também foi ali que vimos Bombino, os Strange Boys, The Knife, !!! ou Alabama Shakes. Este ano, teremos veteranos como Thurston Moore (dia 21, 20h30) e estrelas pop nascidas já no século XXI como os Franz Ferdinand (dia 21, 0h45), ao lado do novo synth-pop dos CHVRCHES (dia 21, 23h15), das canções irresistíveis de Mac DeMarco, o canadiano que se transforma ao vivo em espalha-brasas incontrolável (dia 21, 21h20), do rock’n’roll dos Thee Oh Sees (dia 21, 22h20) ou dos Black Lips (dia 22, 23h15).

Ao longo de quatro dias, viajaremos da Americana de Conor Oberst (dia 22, 21h20) para a folk de vistas amplas de Beirut (dia 23, 23h15). Descobriremos o colorido psicadélico dos Growlers (dia 23, 21h20), essa personagem inimitável, veterano de espírito jovem, chamada Seasick Steve, e o rock tribal, tresloucando, intensíssimo, dos suecos Goat (22h20). Passaremos do delírio juvenil, devidamente apunkalhado, dos Yuck (dia 22, 20h30), para as canções de Hamilton Leithauser, vocalista dos Walkmen (dia 23, 20h30). E haverá James Blake, certamente um dos mais esperados do festival, figura de um culto cada vez mais massivo, em dose dupla (concerto às 1h, dia 23, seguido de DJ set, integrado nos 1-800 Dinosaur).

Isto, para além do reencontro com a criatividade nacional que, ao longo do ano, vamos encontrando nas salas de concerto espalhadas de norte a sul: lá estarão os Linda Martini, velhos conhecidos (dia 22, 19h40), o blues-rock diabólico do barreirense Fast Eddie Nelson (dia 21, 18h), os White Haus de João “Kitten” Vieira (dia 21, 2h15), a pop sintética de Sequin (dia 23, 18h) e o kraut-electro-house-rock dos Sensible Soccers (dia 23, 18h30).

Num ano em que, tendo em conta as previsões meteorológicas, não haverá chuva a baptizar o festival (durante anos foi um clássico do festival), Paredes de Coura mantém-se fiel à história que começou a construir em 1993 e que, na última década, o levou a assumir-se como um dos destaques do Verão musical português.

Uma história que, além dos concertos nos dois maiores palcos, contempla também, durante a tarde, o Jazz na Relva (por lá passarão, este ano, os Hitchpop, dia 21, Torto, dia 22, e Mick Turner, guitarrista dos Dirty Three, dia 23). E, tal como o ano passado, uns quantos felizardos poderão ser contemplados com concertos inesperados em lugares improváveis. Falamos das Vodafone Music Sessions através das quais, o ano passado, algumas dezenas foram levadas a ver Bombino, Glockenwise ou Ducktails nos arredores de Paredes de Coura, em zonas privilegiadas para ouvir a música e apreciar os mil verdes do Minho. Serão quatro concertos surpresa aos quais terá acesso quem, a partir das 14h, se inscreva junto dos membros da organização que percorrerão o recinto em busca de voluntários. Mais um atractivo num festival que este ano se apresenta recheado deles.

Os bilhetes para a noite de hoje custam 35€. Entradas diárias para os seguintes são vendidas a 40€. O passe para os quatro dias têm o custo de 80€.