Separatistas anunciam reforço de meios para contra-ataque ao Exército da Ucrânia

Primeiro-ministro da auto-proclamada república popular de Donetsk diz que fileiras rebeldes foram engrossadas com 1200 voluntários treinados na Rússia e equipamento militar abandonado pelas forças governamentais.

Exército da Ucrânia mantém o cerco a Donetsk
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Exército da Ucrânia mantém o cerco a Donetsk REUTERS/Valentyn Ogirenko

As forças separatistas pró-russas que ainda dominam as cidades de Donetsk e de Lugansk, cercadas pelas tropas do Exército da Ucrânia, confirmaram um reforço de pelo menos 1200 novos voluntários, que estão prontos para iniciar o combate depois de cumprir um treino de quatro meses em território russo.

Numa comunicação aos membros do parlamento da auto-proclamada república popular de Donetsk, o líder independentista Alexander Zakharchenko, que assumiu o cargo de primeiro-ministro há menos de uma semana, deu conta de várias novidades e “progressos” na luta pela causa independentista, que sofreu desfalques recentes com a demissão de comandantes.

“Tenho boas notícias”, anunciou Zakharchenko. “Neste momento, estão a movimentar-se no corredor [que liga a Ucrânia e a Rússia e é controlado pelos rebeldes] 150 veículos militares, entre os quais 30 tanques, camiões de artilharia e viaturas blindadas”, informou, num discurso que foi divulgado através de um vídeo publicado no YouTube.

Por um erro de tradução, a declaração de Zakharchenko foi inicialmente reportada como uma confirmação de que uma coluna militar com 150 unidades estava a caminho da Ucrânia vinda da Rússia. Numa entrevista mais tarde transmitida pelo canal russo pró-Kremlin Life News, o líder separatista esclarecia que se tratava de equipamento recolhido pelos próprios rebeldes na zona de combate. “O Exército ucraniano deixou para trás tanto material – tanques, camiões, lança-mísseis – que a nossa dificuldade é encontrar gente para os manejar”, notou.

Zakharkchenko referiu ainda que os novos combatentes rebeldes são “voluntários ucranianos que vieram da Rússia”, e não soldados do Exército de Moscovo – que sempre desmentiu qualquer participação das suas forças no conflito do país vizinho. “Também temos turcos, muitos sérvios, italianos, alemães e até dois romenos”, acrescenta, de acordo com uma citação da BBC. O primeiro-ministro rebelde congratula-se pela entrada em cena do novo contingente, “neste momento decisivo” de contra-ofensiva depois dos avanços das forças governamentais.

Os combatentes rebeldes ainda controlam uma parte significativa do território do Leste da Ucrânia, nomeadamente vários dos postos de fronteira com a Rússia. No entanto, foram forçados a recuar e defender posições já no interior dos dois principais centros urbanos da região – onde, de acordo com todas as descrições, o cerco do Exército está a provocar uma crise humanitária.

A decisão do Kremlin de enviar uma frota de camiões carregados com assistência para as populações cercadas no Leste da Ucrânia veio acrescentar uma polémica e alimentar as desconfianças internacionais relativas à interferência da Rússia no conflito ucraniano. Depois de negociações entre os dois governos, a Cruz Vermelha Internacional e a Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE), Kiev decidiu autorizar a entrada da carga vinda da Rússia no seu território, sem garantir todavia a segurança da caravana à passagem das áreas controladas pelos rebeldes. Mas neste sábado, os 280 camiões russos ainda continuavam estacionados no lado russo da fronteira.

Em Lugansk e Donetsk, prosseguem os combates, com os dois lados em confronto a apresentar versões diferentes a título de rescaldo do dia. Os separatistas reclamaram a morte de 30 soldados ucranianos em Lugansk, mas o porta-voz do Exército, Andri Lisenko, disse à Reuters que nas últimas 24 horas as tropas nacionais tinham registado três baixas. Numa conferência de imprensa em Kiev, o mesmo responsável desmentiu ainda que as forças nacionais tivessem lançado morteiros sobre Donetsk. Repórteres estrangeiros deram conta de várias explosões no centro da cidade, e as autoridades municipais confirmaram a destruição de vários edifícios e a morte de quatro pessoas.