Arqueologia “sub-100” descobre dia-a-dia da vida e da morte

Desenterra-se o que havia de civil no quotidiano dos soldados enviados para combater na frente ocidental: os alemães comiam tudo com mostarda, as dores de dentes eram curadas à força de os arrancar. A arqueologia da Grande Guerra está a avançar a passos largos em França.

O Sol brilha de chapa e tudo parece branco e queimado nas trincheiras reconstruídas da fortaleza natural da Main de Massiges, no Nordeste de França. A terra é branca e seca, como se fosse gesso – ou osso. Eis se não quando Yves Desfossés se baixa e encontra mesmo um osso pequenino, branco como tudo à volta. “É um osso de mão”, diz. Ah! “De mão ou de pé, não sei bem. Uma vez encontrámos aqui uma metade de mão que ainda tinha um anel”, conta o arqueólogo francês, que nos últimos 20 anos foi um dos pioneiros na definição de uma nova área para a sua ciência – a arqueologia da I Guerra Mundial.

Traves de madeira, chapas de zinco ondulado e arame farpado de aspecto ferrugento cortam ligeiramente a brancura, que é potenciada pelas sacas de areia e cimento que reforçam as trincheiras desta elevação que domina a paisagem do que era o limite Leste da frente de Champagne da I Guerra Mundial, no local onde se juntava com a frente da floresta de Argonne.

Quando os alemães se retiraram, após a primeira batalha do Marne, em Setembro de 1914, entrincheiraram-se naquela elevação cheia de reentrâncias – parece assentar em cinco dedos, daí o nome. Fizeram túneis na crista Kanonenberg, onde colocaram peças de artilharia, tornando a sua posição quase inexpugnável. A Main de Massiges foi palco de intensos combates, em 1914 e 1915, e só será definitivamente retomada pelos franceses em 1918. Há vestígios de guerra de minas subterrâneas – centenas de quilos de explosivos colocados em túneis escavados sob as trincheiras do inimigo, para as destruir com a explosão.

Nos últimos oito anos, a Associação Mão de Massiges (http://www.lamaindemassiges.com/ ) tem estado a reconstruir as trincheiras tal como eram no tempo da guerra, num projecto que o arqueólogo vê como um bom exemplo. “Fazem um trabalho excepcional. Em Vimy, local do monumento à participação do Canadá na guerra, refizeram as trincheiras totalmente em betão, para serem visitáveis todo o ano. Mas na Main de Massiges não é a comemoração que lhes interessa, mas refazer as trincheiras no seu traçado original e dar a viver a experiência dos soldados”, explica Yves Desfossés. “Agora já começamos a perder-nos nas trincheiras, o que é muito bom – é parecido com o que se passava na realidade...”

O ponto de encontro com Yves Desfossés era o parque de estacionamento junto à igreja e monumento aos mortos da I Guerra em Saint Menehould, a cidade mais importante nas redondezas na floresta de Argonne, que é o local onde ele e a sua equipa estão a fazer realmente escavações arqueológicas neste momento, no campo de retaguarda alemão de Boriswald, bem dentro da floresta. Mesmo não o conhecendo, é impossível não o identificar como arqueólogo: cachimbo na boca, barba e cabelo grisalhos, um pouco esvoaçantes, barriga de “bon vivant”, sapatos e roupa de caminhada em tom caqui.

Tudo a postos para provar que, nas últimas duas décadas, a arqueologia ajudou a compreender a vida – e a morte – quotidianas na frente ocidental da I Grande Guerra.

Nas trincheiras da Main de Massiges, é possível fazer descobertas sobre a morte no quotidiano e as práticas funerárias durante os combates, que não estão propriamente descritas nos documentos militares. Esta é uma das áreas de estudo da arqueologia da I Guerra, definidas ao longo dos últimos 20 anos. “Em três anos de trabalhos regulares de recuperação, encontrámos já os corpos de nove soldados, alguns dos quais identificámos”, adianta.

Já no campo de Boriswald, Desfossés e a sua equipa estudam a via quotidiana, a outra área desta disciplina: “Esta encontra-se nos campos tranquilos da retaguarda e não tem de ser necessariamente militar.”

“Deviam viver ali em permanência 2000 ou 3000 pessoas, com todas as unidades de logística. Não havia protecção superior, ou tentativa de camuflagem, portanto era tranquilo, não havia bombardeamentos. Era como uma aldeia, no meio da floresta.”

Três linhas de trincheiras

Na floresta de Argonne, Desfossés, que é conservador de Arqueologia da Região Champagne-Ardenas, encontrou um local onde os campos de batalha da I Guerra ficaram excepcionalmente bem preservados. É uma floresta desde sempre e nunca deixou de o ser e os seus solos ácidos não são bons para a agricultura.

“Três divisões alemãs controlavam a floresta de Argonne. Havia mais de 40 campos diferentes – na verdade nunca houve tanta gente nesta floresta, 15 ou 20 mil homens. E era preciso garantir-lhes a alimentação e outras provisões”, explica.

“Para a maioria das pessoas, a Grande Guerra são as trincheiras, aqui as dos franceses e mais à frente as dos alemães, mas era bastante mais complicado do que isso. As trincheiras são a linha da frente. Passam-se muito mais coisas ao longo de 15 km de profundidade e a Floresta de Argonne é um dos raros locais onde as paisagens de guerra estão bem preservadas”, afirma. “Por exemplo, se for para o Norte de França, para os lados de Lille, ou mesmo para Reims e Arras, todas essas paisagens desapareceram, porque foram conquistadas pela agricultura, para zonas industriais ou comerciais.”

Na floresta de Argonne, é possível descortinar ainda o sistema de trincheiras que foi traçado na floresta durante a guerra. “Era um sistema com três linhas, ligadas entre si por galerias e túneis, que iam da frente à retaguarda, onde descansavam as tropas”, diz, junto a uma funda vala na floresta, uma cicatriz no terreno que recusa fechar-se, mesmo passado todos estes anos. “Aqui temos as trincheiras alemãs. A estrutura de defesa repete-se em profundidade. Desta forma, se a frente for tomada pelo inimigo, os militares podem sempre refugiar-se na segunda linha das trincheiras e assim sucessivamente”.

Os alemães instalaram-se aqui bem cedo, e foi muito difícil tirá-los de cá. O exército norte-americano andou por aqui, quando chegou à Europa, em 1918, para participar na ofensiva contra a Alemanha. Mas um batalhão inteiro americano, de Nova Iorque, perdeu-se aqui, dando origem ao episódio famoso, contado várias vezes pelo cinema de Hollywood (“The Lost Batallion”).

“Quando os Americanos atacaram, vieram tropas que não eram muito experientes, ao contrário dos alemães, que tinham tomado a floresta há muito tempo. Os alemães conseguiram aprisionar todo um batalhão americano numa cova – um ninho, como lhe chamavam eles –, durante mais de uma semana”, conta. Não é difícil de imaginar que se percam numa floresta que parece cerrada, onde em certos sítios o Sol parece ser uma fonte de luz remota – cá em baixo tudo é uma sombra verde ou castanha. “Os americanos nem sabem dizer onde estavam. Tiveram grandes perdas, um terço de mortos, um terço de feridos”, recorda o arqueólogo.

Uma casa na floresta

Os campos de retaguarda estavam na terceira linha das trincheiras, ou ainda mais recuados – eram numa zona segura, onde em princípio não chegariam os combates, onde as tropas iam descansar, quando saiam da frente. Os três batalhões de um regimento dispunham-se ao longo das três linhas de trincheiras e iam trocando entre si.

No Vale Moreau, há uma reconstituição de um campo alemão, em que se tenta recriar o ambiente da época, para ser visitado por turistas. “Aqui estamos só um pouco na retaguarda. O campo Moreau está na retaguarda da primeira linha das trincheiras, apenas suficientemente longe para não ser perturbado constantemente pela artilharia. Havia um túnel sob a colina que permitia levar as tropas directamente para a linha da frente.”

Com o aspecto que tem agora, sem os soldados, parece quase um camping na floresta, pronto a albergar turistas. Há electricidade, as cabanas de madeira albergavam cinco pessoas. Há um lavadouro comunitário e latrinas públicas também, abertas. São troncos onde os soldados se sentavam lado a lado, a fazer as suas necessidades. “Era um lugar de convívio. Liam o correio, o jornal, e depois discutiam”, explica o arqueólogo.

Perto da entrada alguns obuses foram alinhados lado a lado, consoante o tamanho. Os mais pequeninos não vão muito longe e parecem coisa pouca ao lado dos que levam cargas maiores. “Mas também fazem muito mal: caem na vertical, enterram-se profundamente e podem destruir até 20 metros de trincheira”, avisa Desfossés.

Os campos de retaguarda alemães tinham um conforto e uma sofisticação superiores aos franceses. “Os soldados franceses eram colocados num posto da frente durante algumas semanas, alguns meses no máximo. Voltavam uma ou duas vezes aos campos de retaguarda para repousar, mas depois podiam ir para a Flandres ou Verdun, não tinham muito interesse em investir nos campos”, justifica o arqueólogo. Tinham um sistema que fazia rodar rapidamente as divisões do exército, da frente para a retaguarda, chamado “A Nora”.

Já os alemães instalavam-se de uma forma mais pesada. “Psicologicamente estão numa postura diferente. Tinham todo o interesse em cuidar dos seus acampamentos, fazem criação de animais, cultivam hortas para enriquecer a sua dieta. Sabiam que iam ficar um ano, dois anos no mesmo sítio, sabem que vão lá regressar muitas vezes. “Não é que os alemães tratassem melhor os seus soldados do que os franceses. É uma questão de ocupação do território”, sublinha Desfossés. “Os franceses, por exemplo, estavam sempre melhor abastecidos. Já os alemães procuravam melhorar o seu aprovisionamento, porque sabiam que não seria o Estado alemão que ia melhorar a sua ração. Tentavam transpor a sua casa na Floresta Negra para a Floresta de Argonne. Tinham tendência a recriar a vida civil no ambiente militar.”

Em Boriswald, era de facto quase uma povoação, com cabanas dispostas ao longo de três níveis de terreno. “Quando queriam desembaraçar-se de alguma coisa, iam deitá-la fora atrás da cabana, ao cantinho – encontramos hoje o lixo acumulado onde seriam os cantinhos das barracas”, conta. Havia duches, lavadouros, um forno para produzir vapor para limpar fardas.

Mostarda e dentaduras

Nos depósitos dos campos de retaguarda descobrem-se restos do dia-a-dia que dizem muito sobre a vida dos soldados. Revelam por exemplo que os alemães comiam mostarda com tudo. “Mas a mostarda dos alemães não é igual à dos franceses. Os franceses usam uma mostarda forte, a mostarda de Dijon, sobretudo para a carne. Já os alemães usam uma mostarda com condimentos, chamada ‘savora’, que pode acompanhar tudo. Isso não é específico dos soldados. Encontramos regularmente os potes de vidro desta mostarda, que eram guardados e reutilizados”, explica o arqueólogo.

Outra marca vinha noutras taças em porcelana branca com uma imagem imposta mecanicamente do imperador da Áustria-Hungria ou do da Alemanha. “Os soldados guardavam-nas também, para beber café.” Reciclavam-se muito os recipientes em vidro: “Os alemães bebem pouco água das nascentes, tal como outros povos do Norte actualmente, que bebem muita água mineral. Por isso precisavam de recipientes em vidro para transportar a água e encontramos muitos recipientes – garrafas de vinho e de cerveja que eram recicladas para esse fim.”

Os arqueólogos encontraram também nos lixos do campo os moldes dentários, usados para fazer dentaduras e dentes postiços. “Um soldado com dores de dentes é um mau soldado. Por isso arrancavam-se muitos dentes. Faltavam-lhes muitos! Havia muitos dentes falsos, mas era preciso arrancar muitos dentes bons para pôr falsos, para haver espaço para pôr o postiço”, conta Desfossés.

Descobriram também a messe dos oficiais, com toda a loiça – e há fotos da época, que permitem perceber como tudo funcionava na altura da guerra. Havia um sistema de caminhos-de-ferro de via estreita que funcionava na floresta de Argonne, que permitia aos soldados alemães deslocarem-se e transportarem materiais, torres de observação.

“Mas depois da guerra, a floresta retomou os seus direitos”, diz, para explicar por que é um olho destreinado, ao chegar ao local, sem estarem a decorrer escavações, fica decepcionado, depois de todas as descrições que ele fez.

“Tapamos tudo durante o Inverno, senão o gelo destrói as coisas.” E depois há os caçadores de relíquias: “Em Outubro, quando deixamos o campo, costumam ir lá, para ver se não deixámos nada. Esta zona já foi muito pilhada, nos anos 1990, 2000, mas agora começa a acalmar”, afirma Desfossés.

Um coração por sepultura

Um monumento funerário com inscrições em alemão surge de repente na floresta. “Também encontrámos o cemitério: foi criado pelo regimento de infantaria 27, quando esteve estacionado aqui em 1915 e 1916”, explica. “Os cemitérios militares faziam parte da política de ocupação do território alemã – era uma maneira de dizer ‘os vossos mortos estão lá, portanto têm de cuidar do território. Por isso os franceses após a guerra não aceitaram que houvesse cemitérios alemães por todo o lado, era praticamente um para cada regimento. Foram reorganizados, estelas funerárias destruídas.”

A I Guerra Mundial, onde morreram cerca de dez milhões de soldados, muitos deles mutilados de formas até então desconhecidas, foi precisamente o momento em que os soldados conquistaram o direito a ter uma sepultura individual – passa a haver regras para que “cada coração tenha a sua sepultura”, diz Desfossés.

“Antes era a fossa comum, não existia esta vontade de identificar o corpo”, diz. “Por exemplo, em França, na guerra com a Alemanha de 1870, em que há muitos mortos, há uma percepção de que muitos não são identificáveis. Há um momento em que a sociedade dá mais importância ao indivíduo e não tanto ao grupo, e deixa de ser suportável não identificar cada soldado morto. Passa-se a dotar os soldados de placas de identificação para eventualmente os poder identificar se morrerem no campo de batalha.”

Só os corpos incompletos e impossíveis de identificar vão para os ossuários – mas estes assumem proporções gigantescas, como o de Douaumont, no campo de batalha de Verdun. “No cemitério da Main de Massiges há 11 mil cruzes, mas há mais 11 mil corpos no ossuário, porque não são identificáveis. Por um lado a sociedade quer sepulturas individuais, mas a morte em massa dos combatentes faz com que muitas vezes não seja possível identificar os corpos.”

Demasiado recente?

Como começou a arqueologia a interessar-se pela I Guerra Mundial, um acontecimento com 100 anos, quando as suas temáticas costumam ter vários séculos? “Como é um período demasiado próximo de nós, a tentação era dizer que era demasiado recente, que não se ia descobrir nada através da arqueologia, nem valia a pena tentar”, explica Yves Desfossés. “Para a Idade Média dizia-se o mesmo: não é preciso fazer escavações, temos textos. Mas quando se começou a escavar em sítios do período medieval, percebeu-se que havia uma grande diferença entre o que diziam os textos e o que se observava no terreno. Para a Grande Guerra efectivamente há coisas a dizer.”

Foi nas décadas de 1970/80, e sobretudo na de 1990, quando foram lançadas grandes obras públicas nos antigos campos de batalha do Norte e Nordeste de França, que começaram a surgir achados que colocavam questões para as quais não havia resposta. O que fazer se durante as obras para construir uma linha de comboio de alta velocidade se dá com uma fossa comum com vários soldados da I Guerra, com sinais de ter havido um rito funerário, num antigo campo de batalha? Ou restos de abrigos em trincheiras? Chama-se o arqueológo ou os serviços funerários?

Em muitos casos chamou-se o arqueólogo e Yves Desfossés esteve envolvido nessas acções.

“De início não tínhamos chaves de leitura para o que íamos encontrando, para dizer ‘isto é interessante por causa disto’. Durante cerca de 20 anos foi preciso definir a nossa problemática de estudo, que são essencialmente duas questões”: a vida e a morte quotidianas no campo de batalha.

Mas a arqueologia tem problemas específicos por estar a tratar um tema tão recente. “Ninguém me diz que se escavar uma sepultura da Idade Media, ou de um romano, tenho de pensar se há descendentes vivos. Mas os corpos de soldados da Grande Guerra ainda têm um regime jurídico complicado e as famílias por vezes não ficam satisfeitas de nos ver intervir”, conta Yves Desfossés.

“O meu objectivo não é identificar o corpo, é ver se existiu um gesto funerário. Se identificar o cadáver, tanto melhor. Mas para as associações que trabalham no sector, é imperativo identificá-lo”, explica. “Por isso tenho colegas que não gostam nada de trabalhar nesta área. Podem escavar um cemitério medieval inteiro. Mas se a sepultura tiver menos de 100 anos, não.”

Algo mudou na última década. “Quando começámos, há 24 anos, a I Guerra ainda estava na memória das pessoas. Não havia assim tantos combatentes vivos, mas ainda havia alguns. No entanto, nos últimos anos passou definitivamente do campo da memória para o campo da história”, reflecte.

Curioso é que usar as ferramentas da arqueologia para estudar a I Guerra é algo que parece mais natural para a geração mais jovem do que para os que começaram na altura em que esta disciplina dava os primeiros passos. “Com o centenário há uma enorme publicidade e vejo que os jovens arqueólogos vêem mais isto como uma parte natural da sua disciplina do que os que têm 50 anos e tiveram uma formação universitária que os preparou para trabalhar períodos mais antigos. Não estão tão dispostos a debruçar-se sobre épocas mais recentes”, diz Desfossés.

Reapropriar-se da memória

A verdade é que há muito mais interesse agora pela I Guerra Mundial do que há 20 ou até há 10 anos. “É interessante ver como a memória histórica varia em função das gerações. Apercebemo-nos de que as pessoas com 40, 50 anos, estão a reapropriar-se de uma história familiar que não conquistou a geração anterior.”

“Há três anos encontrámos o corpo de um soldado francês no campo de Suippes e através da Internet encontrámos muito rapidamente os seus familiares, que refizeram também com rapidez a história deste parente morto. Se fosse há 20 anos, tenho a certeza de que se encontrássemos os seus familiares vivos nos diriam ‘sim, é nosso parente, mas não sabemos grande coisa sobre ele”, conta.

As fichas militares dos soldados de 1914-1918 devem em breve estar todas disponíveis online. “O que quer dizer que se souber a data de nascimento do seu antepassado e o local onde habitava, poderá descobrir o seu percurso militar. Isto era algo que se podia até agora fazer nos arquivos, mas passar-se-á a poder fazer com três cliques”, explica. “É fácil reapropriar-se da memória dessa geração de 1914-1918, que se tinha tornado muito, muito vaga, praticamente desconhecida, entre as décadas 1970-1990.”

Isto passou-se até com ele. “Tive um primo distante que foi ferido na Main de Massiges e que morreu num hospital militar em 1915. O seu nome estava mal escrito e está na necrópole, mas não sabíamos dele. Até que no ano passado percebi que estava ali. Fui depositar uma flor na sua campa”, diz com um sorriso um pouco embaraçado. “É algo que não pensaríamos fazer há 20 ou 30 anos. Não era mesmo a mentalidade da época.”

Amanhã: "A correspondência do desassossego e da saudade", por Isabel Pestana Marques (historiadora)
 

   




 

   




 

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