Grande Barreira de Coral em grande risco apesar de esforços de conservação

Relatório apresentado pelo governo australiano sublinha risco que apresentam as alterações climáticas, a pesca e o desenvolvimento costeiro.

A Grande Barreira de Coral ocupa uma área de mais de 344 mil quilómetros quadrados
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A Grande Barreira de Coral ocupa uma área de mais de 344 mil quilómetros quadrados AFP
A Grande Barreira de Coral ocupa uma área de mais de 344 mil quilómetros quadrados
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A Grande Barreira de Coral ocupa uma área de mais de 344 mil quilómetros quadrados AFP

Nos últimos cinco anos foram dados passos no sentido de proteger a Grande Barreira de Coral, na Austrália. Apesar dos investimentos feitos na sua conservação, estes não terão sido suficientes para retirar aquele que é um património da Humanidade de uma situação de grande risco. O último relatório sobre a região revela um balanço muito negativo.

“Mesmo com as recentes iniciativas de gestão para reduzir as ameaças e melhorar a resiliência, a perspectiva geral para a Grande Barreira de Coral é pobre, piorou desde 2009 e espera-se que venha a deteriorar-se ainda mais no futuro”, indica o relatório de 2014 sobre a região, apresentado na terça-feira pelo governo australiano, e que faz uma comparação com dados recolhidos em 2009.

O documento admite que a Grande Barreira de Coral, como um todo, “mantém as qualidades que contribuem para o seu valor universal excepcional” e que avaliações à biodiversidade e aos ecossistemas mostram que o “terço Norte da região tem água de boa qualidade e o seu ecossistema está em boas condições”.

Por outro lado, os habitats-chave, espécies e processos ecossistémicos em áreas costeiras do Centro e Sul continuaram a deteriorar-se a partir dos efeitos cumulativos de impactos. O relatório dá o exemplo do dudongo, um mamífero herbívoro aquático, cujo número já estava em níveis muito baixos em comparação com um século atrás, diminuiu ainda.

O ecossistema da Grande Barreira de Coral está em “sério risco”, sublinha o documento. As maiores ameaças resultam das alterações climáticas, da má qualidade da água vinda de escoamento terrestre, dos impactos do desenvolvimento costeiro e da pesca. Estas são as conclusões.

O aumento da temperatura do mar, a alteração dos padrões do clima, a acidificação dos oceanos e o aumento do nível das águas do mar são as principais ameaças quanto às alterações climáticas. “O risco tende a aumentar no futuro, devido a trajectórias das emissões de gases com efeito de estufa e a uma alteração futura inevitável bloqueada por emissões anteriores”, observa o relatório.

O desenvolvimento costeiro representa outro grande risco para a Grande Barreira de Coral, nomeadamente através das alterações dos habitats costeiros e construção de barreiras artificiais.

A pesca ilegal, a captura acidental de espécies protegidas e os efeitos da sua devolução ao mar representam outros factores de elevado ou muito elevado risco.

Pela primeira vez, o relatório sobre a Grande Barreira de Coral pronuncia-se sobre os valores patrimoniais, como embarcações naufragadas ou locais arqueológicos. A realidade actual daquela zona australiana e património da Humanidade mostra que as ameaças ao ecossistema associadas às alterações climáticas apresentam um risco grave, “particularmente no valor universal notável da propriedade”.

O ministro australiano do Ambiente já comentou o relatório. "Estes relatórios reforçam que não há soluções rápidas e que levará tempo a alterar a saúde geral do recife com o esforço concertado do governo, indústrias e comunidades”, sustentou Greg Hunt num comunicado citado pela BBC.

Segundo o ministro, cerca de 180 milhões de dólares australianos (125 milhões de euros) têm sido investidos anualmente na Grande Barreira de Coral para diminuir as ameaças que continua a sofrer. “Estamos absolutamente empenhados em proteger e melhorar a saúde desta maravilha icónica natural para que possa ser apreciada pelas gerações futuras”, assegurou Hunt.

A Grande Barreira de Coral ocupa uma área de mais de 344 mil quilómetros quadrados, com uma largura que oscila entre os 60 e os 250 quilómetros, e representa o maior ecossistema de coral do mundo. A profundidade das águas varia entre os 35 e os 2000 metros. No recife existem 1625 espécies de peixe, 215 de pássaros, 30 de baleias e golfinhos e 133 de tubarões e raias.