BdP emprestou 3,5 mil milhões ao BES antes do resgate com garantia do Estado

Em situação “de grave insuficiência de liquidez”, BES recorreu à cedência de dinheiro em situação de emergência, cujo risco é assumido pelo Estado

BdP, liderado por Carlos Costa, emprestou dinheiro ao BES antes de anunciar resgate
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BdP, liderado por Carlos Costa, emprestou dinheiro ao BES antes de anunciar resgate

Em “situação de grave insuficiência de liquidez”, ainda mais acentuada desde o final de Junho e até 31 de Julho, o BES recorreu à cedência de liquidez em situação de emergência dias antes de o resgate ao banco ter sido anunciado, a 3 de Agosto. Até 1 de Agosto, o Banco de Portugal já tinha emprestado 3,5 mil milhões de euros à instituição bancária através deste mecanismo (ELA – Emergency Liquidity Assistance), cujo risco é assumido pelo banco central, que tem como único accionista o Estado.

De acordo com as actas da reunião extraordinária do Banco de Portugal de 3 de Agosto, onde o regulador anunciou a separação da instituição bancária em dois e a criação do Novo Banco, o BES não conseguiu travar a perda de liquidez nem recorrer a um empréstimo junto do Banco Central Europeu (BCE). Perdeu o estatuto de “contraparte” de operações de política monetária do BCE e ficou obrigado a reembolsar na íntegra o crédito de dez mil milhões de euros que tinha no banco central. Esta situação “insustentável” “já o tinha obrigado a recorrer excepcionalmente, com especial incidência nos últimos dias, à cedência de liquidez em situação de emergência por parte do Banco de Portugal”, lê-se na acta da reunião.

O empréstimo de emergência, que é hoje notícia no Jornal de Negócios e no Diário Económico, difere de uma operação normal de financiamento do BCE, em que o risco de uma entidade não pagar é partilhado pelos bancos centrais da zona euro. No caso da ELA, o risco é assumido apenas pelo banco central em causa. Caso este empréstimo dê origem a prejuízos, a responsabilidade é assumida pelo Banco de Portugal, que tem como único accionista o Estado.

O risco sistémico da queda do BES levou o regulador a intervir e a nomear uma nova gestão. Cerca de 11,5% do total dos depósitos captados em Portugal estão neste banco, que tem uma quota de 14% do total de crédito concedido em Portugal (mais de 31% a financiar entidades financeiras e seguradoras).