PSD vence 4-1 nos comissários

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O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso REUTERS/Francois Lenoir

António Cardoso e Cunha, antigo ministro da Agricultura de Cavaco Silva, passou por Bruxelas entre 1986 e 1993 (com Jacques Delors), onde assumiu, na estreia, as pescas, e depois teve as empresas, comércio e turismo.

Passou também por gabinetes dos governos cavaquistas (Educação e Negócios Estrangeiros) o comissário seguinte. Mas João de Deus Pinheiro, responsável pela cultura e comunicação (com Delors) e pelas relações com África, Caraíbas e Pacífico (na comissão de Jacques Santer), deixou má impressão em Bruxelas pelo fraco trabalho desenvolvido.

Coube a António Vitorino, que se demitira de ministro da Defesa devido a um caso divulgado pelo PÚBLICO de falta de pagamento do imposto de sisa, a única representação socialista portuguesa numa Comissão Europeia. António Guterres indicou-o para a equipa de Romano Prodi, tendo Vitorino assumido a pasta da justiça e assuntos internos e deixado em Bruxelas uma excelente impressão.

Depois, durante dez anos Portugal teve a mais importante cadeira da Comissão Europeia, mas à custa da cabeça do seu próprio Governo, e é questionável se terá tirado vantagens do cargo. Em 2002, Durão Barroso deixou o mandato do seu executivo português a meio para rumar a Bruxelas. Para a sua reeleição, há cinco anos, contou com o apoio, ainda que um pouco contrariado, do PS.

Os dez anos de Barroso na presidência daquela instituição ficam marcados por uma progressiva perda de poderes e influência da própria comissão, em detrimento das lideranças fortes de alguns Estados-membros, como é o caso da Alemanha e da França.