Mais de 60 inscritos na Feira do Livro do Porto

A Câmara do Porto diz que a feira deste ano terá, pelo menos, 80 stands de venda, além de uma programação cultural alargada.

A 83. edição da Feira do Livro do Porto foi cancelada pela APEL, que considera apoios da autarquia insuficientes
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A Feira do Livro vai decorrer de 2 e 18 de Setembro Paulo Ricca

O prazo de inscrição para a Feira do Livro terminou na quarta-feira e a Câmara do Porto diz ter “cerca de 80 stands e mais de seis dezenas de expositores” confirmados. Os inscritos são muito heterogéneos e vão conviver lado a lado com a programação preparada pelo pelouro da Cultura e pela empresa municipal Porto Lazer, que pretende transformar a feira num Festival Literário, subordinado aos temas Liberdade e Futuro.

Editoras, alfarrabistas e livreiros vão estar alinhados, ao longo da Avenida das Tílias, com uma oferta diferente da que era costume encontrar na Feira do livro organizada pela APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, mas que em termos de números absolutos, não será muito distinta. Em 2012, o último ano em que a feira se realizou no Porto, havia 70 participantes. Este ano, fonte da Câmara do Porto diz que há já “mais de seis dezenas de expositores” e que ainda poderão ser mais. “Há dois ou três pedidos que ainda estão em análise e que poderão modificar substancialmente estes números”, disse ao PÚBLICO fonte da assessoria de imprensa da autarquia.

A mesma fonte garante que nos cerca de 80 stands – há inscritos que vão usar mais do que um – estará patente “a diversidade” que o município desejava, pelo que, para já, a Feira do Livro do Porto de 2014 está a deixar “satisfeitos” os responsáveis pela organização. “Os números estão dentro daquilo que era a nossa expectativa e temos a diversidade que pretendíamos”, diz. “Dos inscritos, mais de metade são editoras, o que é interessante, e mais de metade são do Porto, sobretudo livreiros e alfarrabistas da cidade”, acrescenta.

O PÚBLICO sabe que entre as editoras que confirmaram presença na feira do Porto estão algumas das que os visitantes se habituaram a encontrar por ali – a Relógio d’Água, Tinta-da-China, Antígona ou as editoras especializadas como a Vida Económica, a Universidade do Porto e o Instituto Piaget – bem como outras que, pelo menos na última edição, não foram ao certame, como a Coimbra Editores, a Cotovia, a Utopia ou a Guerra e Paz. Outros participantes incluem os alfarrabistas Paraíso do Livro, Homem dos Livros, O Lugar do Livro e a Livraria Lumière.

Na expectativa de permitir que os alfarrabistas e os livreiros da cidade regressassem à Feira do Livro, a Câmara do Porto apresentou custos de participação que representam um quinto do valor praticado pela APEL, na Feira do Livro de Lisboa, em 2013. Nessa altura, segundo os dados da própria APEL, o preço por pavilhão era de 1800 euros, passando para dois mil euros caso fosse solicitado um segundo espaço ou mais. No Porto, a autarquia optou por cobrar 400 euros por pavilhão.

A câmara tem também vincado que a feira deste ano será mais próxima de um Festival Literário, com uma aposta muito forte na programação que irá acompanhar a venda de livros a preços de saldos. O programa inclui debates com escritores – com presenças já confirmadas de autores como Richard Zenith, Gonçalo M. Tavares, Helena Vasconcelos ou Manuel Alegre -, um festival de spoken words (com Capicua, Adolfo Luxúria Canibal ou Chullage), uma exposição e um ciclo de cinema dedicados a Pier Paolo Pasolini e duas sessões das Quintas de Leitura. Animação para os mais pequenos e eventos musicais deverão ainda marcar os dias da feira, organizada, pela primeira vez, pela autarquia.

Enquanto os livros se vendem na Avenida das Tílias, os eventos culturais vão andar por ali e pela Biblioteca Municipal Almeida Garrett, que também está situada nos jardins do Palácio de Cristal. A Feira do Livro do Porto decorre entre 5 e 21 de Setembro. De segunda a sexta, abre às 16h e ao fim-de-semana, às 12h. Os horários de encerramento também variam, com os pavilhões a fecharem as portas às 22h, de domingo a quinta-feira, e uma hora mais tarde às sextas-feiras e sábado.