Acções do BES encerram a perder 42% para mínimo histórico

Dimensão do aumento de capital que o banco precisa de fazer na origem de queda nunca vista na bolsa de Lisboa.

A forma como o BES vende e recompra as obrigações garante taxas de rentabilidade de 5% e até 6%
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Carlos Costa pode avançar com a liquidação do BES "mau" Nuno Ferreira Santos

As acções do BES encerraram esta quinta-feira com uma desvalorização de 42%, para 0,21 euros, mas a queda máxima da sessão chegou a superar os 51%, para o mínimo histórico de 0,17 euros.

A forte queda do BES, de que não há memória nos títulos do PSI 20, foi acompanhada de um volume também muito acima do habitual, ao atingir 419 milhões de títulos negociados.

O BES apresentou nesta quarta-feira um prejuízo de 3577 milhões de euros relativos ao primeiro semestre, um valor que ficou acima das piores estimativas avançadas por analistas.

O montante do aumento de capital não foi revelado, mas será sempre de grande dimensão, e é essa  incerteza que está a penalizar o título, que perde mais de 80% face ao valor do início do ano.

As primeiras estimativas dos analistas para o aumento de capital apontam para um valor muito elevado.

O BPI Equity Research admite um aumento de capital de 3,5 mil milhões de euros, de forma  a elevar o rácio de capital core tier 1 para  10%. Com os prejuízos apresentados, o core tier 1 do BES desce para 5%, abaixo dos 7% exigidos e dos 8% recomendados pelo Banco de Portugal.

Analistas contactados pela agência Bloomberg estão a apontar para a necessidade de um aumento de capital num valor que vai até quatro mil milhões de euros.

O Caixa Banco de Investimento não quantifica as  necessidades de capital, mas destaca na análise diária que o plano de capitalização “deverá, desejavelmente, contemplar uma almofada de precaução”.

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As acções do BES estiveram suspensas por determinação da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) até às 10h, para que os investidores avaliassem a informação divulgada relativa aos resultados semestrais.

No arranque, o título chegou a cair 51%, o que atirou o preço dos títulos para 0,17 euros, um valor sem paralelo na história do banco.

Desde o início do ano, os títulos do banco já perderam mais de 80% do seu valor e face ao último aumento de capital, realizado há cerca de dois meses, a 0,70 euros, a queda é de 70%.

A capitalização bolsista do banco, que já foi uma das maiores do índice, e que ainda este ano superou os 5,8 mil milhões de euros, está agora em 1,95 mil milhões, perdendo assim cerca de 3,8 mil milhões. O BPI, o quarto banco nacional, já apresenta um valor de mercado superior, de 2,2 mil milhões de euros.

Arrastado pelo BES, o PSI 20 encerrou a perder 3,12%, mas ao longo da sessão chegou a perder 4,6%. Os restantes bancos cotados no principal índice da bolsa de Lisboa fecharam negativos, mas abaixo das perdas máximas.