Dezenas de mortos nos mais violentos bombardeamentos em Gaza

O guia supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei, disse ao mundo árabe que deve “armar” os palestinianos.

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Gaza está a viver um dos piores dias de bombardeamentos Finbarr O'Reilly/reuters
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Soldados israelitas a regressar de Gaza Baz Ratner/Reuters
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Depois de edifício ter sido atingido, palestiniano coloca bandeiras e símbolos nacionais MAHMUD HAMS/AFP
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Edifício destruído pelos raides israelitas LOULOU D'AKI/AFP
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Bombeiros combatem fogo provocado por ataque israelita MOHAMMED ABED/AFP
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Soldado israelita reza do lado da fronteira do seu país JACK GUEZ/AFP
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Uma mesquita destruída pelos raides aéreos israelitas MAHMUD HAMS/AFP

Os bombardeamentos desta terça-feira na Faixa de Gaza são os mais violentos desde o início da ofensiva israelita, a 8 de Julho. Segundo os jornalistas da AFP no terreno, na madrugada e na manhã desta terça-feira morreram dezenas de pessoas, incluindo civis palestinianos e militares israelitas.

Segundo as fontes locais, entre os palestinianos mortos estão nove mulheres e quatro crianças. A casa do líder do Hamas, Ismaïl Haniyeh, no campo de refugiados de Chati, foi bombardeada. E a única central eléctrica da Faixa, que já estava danificada e a funcionar parcialmente, foi totalmente destruída. O edifício da televisão local também foi destruído.

Gaza, relatava um jornalista da AFP, foi iluminada durante a madrugada pelos clarões dos rebentamentos das bombas e amanheceu debaixo de um cobertor de fumo negro. Relatam os jornalistas da Al-Jazira que os bombardeamentos foram alargados a toda a Faixa de Gaza - o Governo israelita fez novos avisos aos palestinianos, dizendo-lhes para abandonarem mais uma série de bairros e localidades alvos. A agência das Nações Unidas na Faixa de Gaza actualizou os dados e diz que há, neste momento, mais de 167 mil palestinianos refugiados nas suas escolas e abrigos.

Em Israel as sirenes também continuam a soar, apesar de poucos rockets do Hamas escaparem ao sistema de defesa anti-míssil Iron Dome. Nos últimos dias, porém, alguns rebentaram junto de locais estratégicos, por exemplo o aeroporto internacional Ben Gurion de Telavive.

Segundo o Hamas - Israel não confirma imediatamente as suas baixas militares -, dez soldados israelitas foram mortos. Um em combates na Faixa, quatro num tanque atingido por um morteiro junto à fronteira e os restantes caíram em combate junto a um túnel do Hamas que desemboca junto ao kibutz de Nahal Oz (sul).

A destruição destes túneis são um dos objectivos israelitas desta guerra. O primeiro objectivo definido foi travar a chuva de rockets que o Hamas faz cair em Israel. Finalmente, o primeiro-ministro israelita Benjamim Netanyahu, acrescentou um terceiro objectivo: desmilitarizar a Faixa de Gaza e advertiu, na segunda-feira, que esse objectivo alargado está longe de estar alcançado e que os israelitas se devem preparar para "uma campanha longa" em Gaza.

"A nossa missão não estará terminada e não poremos fim a esta operação sem termos neutralizado todos os túneis que só têm um propósito, destruir os nossos cidadãos e matar as nossas crianças. Temos que nos preparar para uma campanha longa. Vamos continuar a agir com força e determinação até que a nossa missão esteja concluída", disse Natanyahu.

Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, repsondeu-lhe: "As ameaças não assustam o Hamas e o povo palestiniano e os ocupantes [israelitas] vão pagar o preço deste massacre de crianças e civis".

O exército israelita diz já ter atingido 3900 "locais terroristas" e morto 300 combatentes do Hamas e da Jihad Islâmica. O conflito, que no dia 17 de Julho foi alargado quando o Governo isarelita mandou avançar as tropas terrestres, já matou mais de 1100 palestinianos e mais de 50 israelitas. 

A guerra já vai mais longa do que a de 2008-09, que também começou por iniciativa israelita com o objectivo de parar os bombardeamentos do Hamas contra o seu território. Morreram 1400 pessoas e, diz a AFP, foi a mais mortífera das quatro guerras israelo-palestinianas desde a retirada de Israel da Faixa de Gaza, em 2005.

A comunidade internacional continua a pressionar as duas partes no sentido de porem fim aos combates e o secretário-geral das Nações Undias, o coreano Ban Ki-moon, pediu-lhes para pararem, "em nome da humanidade". Mas não há sinais de cedências - a única iniciativa diplomática anunciada não tem data marcada mas será no Cairo (Egipto) e juntará o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, e membros do Hamas e da Jihad Islâmica. 

Do lado muçulmano, apenas do Irão, que não reconhece a existência do Estado de Israel, surgiu uma posição oficial sobre este conflito. O guia supremo do Irão, o Ayatollah Ali Khamenei, disse que Israel é “um cão raivoso” que comete “genocídio” na Faixa de Gaza e defendeu que o mundo islâmico deve “armar” os palestinianos.

Israel é “um cão raivoso, um lobo selvagem (...) que ataca pessoas inocentes, crianças que perderam a vida inocentemente. O que os dirigentes do regime sionista estão a fazer é um genocídio e uma catástrofe histórica”, disse Khamenei num discurso transmitido pela televisão iraniana para assinalar o fim do Ramadão, o mês santo do islão.

“O Presidente americano [Barack Obama] emitiu uma fatwa [uma ordem] para que a resistência palestiniana seja desarmada de forma a não poder responder a todos estes crimes. Nós dizemos o contrário: o mundo inteiro, em particular o mundo islâmico, deve armar o mais que puder os palestinianos”. 

Os responsáveis iranianos disseram ter fornecido aos palestinianos tecnologia para o fabrico dos mísseis que têm sido disparados contra Israel.

Khamenei disse que os Estados Unidos e a Europa defendem a desmilitarização da Faixa de Gaza para que Israel possa atacar “a Palestina e Gaza (...) a qualquer momento sem que eles se possam defender”. Saudou a “força de resistência palestiniana” que defende “os seus direitos”.

“Um povo aprisionado num pequeno território, com as fronteiras fechadas, privado de água e de electricidade – esta população enfrenta um exército inimigo da envergadura deste do regime sionista. Este povo resistente que não se verga. É uma lição para todos nós”, disse o Ayatollah.