Na nova PT/Oi só dois representantes da operadora nacional serão de accionistas

Granadeiro está fora da administração da empresa que resultar da fusão, assim como o BES.

Paulo Varela, aqui (à esquerda) na sessão de apresentação de resultados da OPA da Visabeira sobre a Vista Alegre, será administrador da CorpCo
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Paulo Varela, aqui (à esquerda) na sessão de apresentação de resultados da OPA da Visabeira sobre a Vista Alegre, será administrador da CorpCo João Henriques

Sem vice-presidente e com mais administradores independentes do lado português. Assim será o novo conselho de administração da CorpCo, a empresa que resultará da fusão entre a PT e a Oi. Os termos definitivos do acordo entre as empresas, que foram anunciados na segunda-feira à noite, desvendam a composição do conselho de administração da nova empresa e deixam cair alguns dos nomes apontados inicialmente. O número de administradores mantém-se (11) e os accionistas da PT continuam a indicar cinco dos vogais do conselho, mas, na nova versão, só dois representam accionistas (Ongoing e Visabeira).

Trata-se de uma nova composição concebida para tornar a gestão mais independente dos accionistas e para satisfazer os accionistas internacionais que entraram recentemente na Oi, na sequência do aumento de capital, apurou o PÚBLICO junto de fonte da PT.

Como previsto, este modelo deixa de fora Henrique Granadeiro (que seria o vice-presidente do conselho de administração da nova empresa), que tem sido apontado como o responsável pela aplicação de 897 milhões de euros em papel comercial da Rioforte. Também caem os homens ligados ao BES, Amílcar Morais Pires e José Maria Ricciardi, e ainda Nuno Vasconcellos, da Ongoing, que passará a ser representada apenas por Rafael Mora. A novidade em termos de representação accionista é Paulo Varela, presidente da Visabeira, que é, tal como Mora, administrador da PT.

Do lado português vêm outros três novos nomes, mas independentes. São eles Rui Horta e Costa, ex-administrador financeiro da EDP e actual administrador não executivo dos CTT, e os professores de gestão António Gomes Mota (administrador não executivo e presidente da comissão de auditoria dos CTT) e Vítor Gonçalves (membro do conselho geral e de supervisão da EDP).

Do lado brasileiro, também há alterações, embora mínimas, face ao anunciado em Outubro do ano passado. Sai Alexandre Jereissati , mas entra Thomas Reichenheim, que também está ligado ao grupo Jereissati (um dos principais accionistas brasileiros), tal como Fernando Magalhães Portella, que já vinha da anterior composição.

Também se mantêm da versão inicial José Mauro Cunha (que lidera a administração da Oi e também vai liderar a da nova empresa), Renato Torres de Faria (representante da Andrade Gutierrez) Fernando Marques dos Santos (do BNDES) e Sérgio Quintella (administrador da Petrobras, ligado aos fundos de pensões brasileiros, PREVI).

Por Portugal, também se esperam mudanças para breve. Nas comunicações ao mercado que tem feito na sequência do novo acordo delineado para permitir a fusão, a Oi tem vincado que a resolução dos problemas (leia-se recuperação dos créditos à Rioforte) caberá exclusivamente à gestão da PT SGPS. Mas é pouco provável que Henrique Granadeiro, o presidente executivo e do conselho de administração da PT, e o administrador financeiro, Luís Pacheco de Melo, continuem a fazer parte da equipa cuja missão será resolver o problema cuja responsabilidade lhe é apontada. “A probabilidade de mudança é grande”, disse ao PÚBLICO fonte ligada à empresa.