New York Times defende a legalização da cannabis nos EUA

Jornal norte-americano compara os riscos da proibição da marijuana aos da Lei Seca adoptada em 1920.

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No que toca à cannabis, Obama prefre que sejam os estados a decidir as suas próprias leis David Gray/Reuters

Sublinhando que os seus responsáveis editoriais chegaram a esta conclusão após um profundo debate interno, o jornal anuncia que serão publicados nas suas páginas de opinião textos de várias personalidades que têm opiniões contraditórias sobre este assunto.

Mantendo a sua oposição à venda de cannabis a menores de 21 anos, o New York Times defende que a adição e a dependência da cannabis são “problemas relativamente menores”, se forem comparados com o vício do álcool e do tabaco.

Lê-se no editorial: “Os Estados Unidos levaram 13 anos a voltar à razão e a por fim à Lei Seca, 13 anos ao longo dos quais as pessoas continuaram a beber, cidadãos respeitantes da lei tornaram-se criminosos e os sindicatos do crime nasceram e prosperaram. Há mais de 40 anos, o Congresso adoptou a interdição actual da cannabis, infligindo um grande prejuízo á sociedade simplesmente para proibir um produto bem menos perigoso que o álcool. O governo federal deve despenalizar a cannabis. (…) O seu consumo moderado não parece apresentar um risco para os adultos de boa saúde.”

O jornal considera ainda, na sua argumentação, que os custos da penalização da cannabis para a sociedade americana são “imensos” e desproporcionados. E cita números do FBI que dão conta de 558 mil detenções por posse de marijuana em 2012, muitas mais do que por posse de cocaína, heroína e os seus derivados. O New York Times argumenta que esta penalização tem um “resultado racista, atingindo de forma desproporcionada os jovens negros, destruindo as suas vidas e criando novas gerações de criminosos”.

Para o jornal de Nova Iorque, o governo federal não deve esperar para ver o que acontece nos vários estados que estão a experimentar legalizar o uso medicinal de cannabis, a redução de penas ou mesmo a simples legalização. “Quase três-quartos dos estados dos EUA já fizeram uma destas coisas”. Uma legalização a nível nacional agora, diz o NYT, deixaria a situação clarificada de modo a permitir que cada estado decida as suas leis, em vez de ficar dependente de quem estiver na Casa Branca.

O que se sabe da posição de Barack Obama, é que já declarou publicamente que “fumar erva” não é mais perigoso do que consumir álcool. Mas na sua campanha eleitoral de 2012, o Presidente mostrou-se contra a despenalização completa, deixando nas mãos dos estados federais o poder de decidirem sobre esta matéria.