Dezenas de mortos em combates na Líbia levam ao êxodo de estrangeiros

Violência em Tripoli e Bengazi. Embaixadas fecham e muitos expatriados receberam ordem para abandonar o país.

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Fumo provocado pelos combates no aeroporto de Tripoli MAHMUD TURKIA/AFP

A Líbia vive a violência mais mortífera desde a guerra de 2011, que levou à queda de Muammar Khadafi, e, perante a incapacidade do governo em restaurar a ordem, o país mergulha cada vez mais no caos.

Pelo menos 36 pessoas morreram em Bengazi, cidade do Leste da Líbia, muitas delas civis, apanhados no meios de ferozes combates entre forças especiais do exército da Líbia e militantes islamistas que decorreram entre sábado à noite e este domingo de manhã. Outras 23 pessoas, todos trabalhadores egípicos, morreram na capital, Tripoli, quando um rocket atingiu a casa onde viviam, durante combates entre milícias rivais que lutam pelo controlo do principal aeroporto da cidade, fechado há duas semanas.

Os Estados Unidos, as Nações Unidos e a Turquia ordenaram nas últimas horas a retirada de todo o pessoal diplomático. Vários países europeus, incluindo o Reino Unido e a Alemanha, deram ordem aos seus cidadãos para deixarem imediatamente a Líbia. A França, Bélgica, Turquia, Espanha e Malta fizeram o mesmo.

Portugal mantém apenas um aviso em que desaconselha as viagens ao país e pede aos seus cidadãos que lá trabalham ou que estão de visita para terem especiais cuidados (evitar deslocações desnecessárias e aglomerações). O mesmo alerta é mantido pela Áustria, Roménia, Suíça, Holanda, Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia.

As milícias islamistas ditam a lei em Bengazi, que foi o berço da revolução armada que fez cair Khadafi. Esta cidade é palco de confrontos quase diários entre o exército e grupos radicais, incluindo o Ansar Asharia, classificado pelos EUA de organização terrorista. Um general na reforma, Khalifa Haftar, lidera uma força paralela (onde estão muitos soldados desertores) para lutar contra os grupos terroristas naquela cidade.

Em Tripoli, são duas milícias que lutam pelo controlo do maior aeroporto da capital, no quadro de uma guerra de influência política e regional. As ligações com os blocos islamistas e seculares no Congresso Nacional, eleito em 2012, são obscuras.

Dois anos depois, o processo político está paralisado e a Líbia não tem ainda uma nova Constituição. O poder real continua nas mãos das milícias, que se apoderaram dos arsenais de Khadafi e ditam não só a lei nas ruas, como se apoderaram de parte dos terminais petrolíferos do país.