Pais do Amaral diz que em breve avançará com proposta por 100% da TAP

Empresário garante que a intenção não é comprar a companhia para “vender daqui a três ou quatro anos”.

Desde Outubro que Pais do Amaral e Frank Lorenzo têm tido reuniões com administração da TAP
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Desde Outubro que Pais do Amaral e Frank Lorenzo têm tido reuniões com administração da TAP PÚBLICO/Arquivo

Depois de quase nove meses de avaliação, Miguel Pais do Amaral garante que fará em breve uma proposta para comprar 100% da TAP. Numa entrevista ao Dinheiro Vivo, publicada neste sábado, o empresário garante que a intenção não é vender a companhia em três ou quatro anos e avança o que existe é a intenção de fazer uma dispersão em bolsa de parte do capital nesse prazo.

Na primeira entrevista depois de, em Janeiro, o PÚBLICO e o Diário Económico terem noticiado o interesse de Pais do Amaral na transportadora aérea, em consórcio com o milionário norte-americano Frank Lorenzo, antigo accionista e presidente da Continental Airlines, o empresário garante que as condições para apresentar uma oferta pela empresa vão estar reunidas “dentro de pouco tempo”.

Pais do Amaral confirma, como noticiado na semana passada pelo Expresso, que a oferta será por 100% da TAP, embora não esclareça se se limitará ao negócio da companhia de aviação ou se abrangerá todo o grupo, incluindo a deficitária unidade de manutenção no Brasil.

O empresário confirma ainda que está a ser assessorado pelo JP Morgan, adiantando que está também a trabalhar com o BPI. O consórcio está ainda em contacto com investidores, estrangeiros e nacionais, que possam vir a entrar no negócio. “A nossa proposta tem sido muito bem recebida pelos investidores. Poderão existir alguns investidores portugueses, tenho feito contactos”, afirma.

Quanto a calendários, Pais do Amaral, que se reuniu pela primeira vez com a TAP em Outubro (já ao lado de Frank Lorenzo), diz que tudo está dependente do Governo. “Nem sequer sabemos se o Governo vai privatizar a empresa”, diz. Depois do fracasso na primeira tentativa de venda, com a rejeição da oferta de Gérman Efromovich, o executivo de Passos Coelho sente que não há margem para falhar novamente.

Além disso, pelo facto de a privatização da TAP ser um dossier pouco consensual, há receios de que possa afectar as próximas eleições legislativas, agendadas para o Outono de 2015. Dentro do Governo, há a noção de que, se o processo não for relançado até Setembro, dificilmente acontecerá, embora estivesse previsto no memorando de entendimento assinado com a troika em 2011.

O PÚBLICO sabe que, nas últimas semanas, os assessores jurídicos e financeiros do Estado têm continuado em diligências para avaliar as condições de relançamento da venda. Ao mesmo tempo, o consórcio de Pais de Amaral tem reunido com a administração da transportadora. E, junto do Governo, têm surgido mais manifestações de interesse.

Na semana passada, o Expresso noticiou que há um novo consórcio que poderá avançar com uma proposta: um grupo empresarial com sede em Luanda associado a várias empresas do Médio Oriente, com interesse em adquirir 49% da TAP.

No último mês, a operação da companhia tem sofrido perturbações que resultaram em sucessivos atrasos e cancelamentos de voos, o que tem vindo a ser justificado com a demora na entrega de seis novos aviões, que deveriam ter chegado em Julho.

Na sexta-feira, os pilotos da companhia decidiram avançar para uma greve de 24 horas a 9 de Agosto, o que, a concretizar-se, irá aumentar os actuais problemas da TAP, que esperava normalizar a operação no próximo mês.