Paul Auster, Stephen King e John Grisham entre os 900 escritores que estão contra a Amazon

Nova carta questiona o comportamento do gigante do comércio na Internet perante a editora Hachette, com a qual trava um braço-de-ferro desde Maio.

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Paul Auster em Lisboa, em 2006 Pedro Cunha

A eles juntam-se Karen Joy Fowler, Philip Pullman, Donna Tartt, James Patterson ou muitos mais nomes menos conhecidos (e até estreantes) da literatura, todos contra aquilo que já em Junho era considerado "bullying" por parte da Amazon, que estará a pressionar a quarta maior editora dos EUA, a Hachette, a aceitar novos termos contratuais no que toca à venda e margens de lucro de ebooks (os detalhes do diferendo não são públicos, mas estima-se que se trate de uma passagem de 30 para 50% de receitas para a Amazon). Essa pressão é exercida, no que ao mercado toca, com o não restabelecimento de stocks de livros da Hachette, com entregas mais demoradas, ausência de descontos ou a impossibilidade de fazer pré-encomendas.

Os termos usados agora pelas centenas de escritores que se juntaram ao protesto iniciado em Junho são similares aos dos primeiros detractores da atitude do maior livreiro online do mundo: ao Guardian, o escritor americano Douglas Preston, mobilizador deste novo protesto, fala de “comportamento rufia” da Amazon. Preston anuncia que pretende publicar uma carta em página inteira no The New York Times (à semelhança do que foi feito há semanas sobre o mesmo tema), subscrita por todos os grandes nomes que conseguiu reunir em torno do caso – algo que considera inédito. “Sentimo-nos traídos porque ajudámos a Amazon a tornar-se uma das maiores empresas do mundo.”

Os escritores directamente afectados por serem editados pela Hachette e suas chancelas -  e que vão de J.K Rowling a J.D. Salinger, passando por Colbert ou Malcolm Gladwell - estão a receber apoio de autores que não são representados pela editora em causa. “Pensávamos que tínhamos uma parceria relativamente boa mas na última meia dúzia de anos o comportamento empresarial da Amazon não tem apoiado, de todo, os autores”, diz ainda Preston. A Amazon, por seu turno, responde através de uma porta-voz que afirma que o escritor “devia ouvir os leitores” que, segundo ela, “expressaram claramente uma preferência por ebooks com preços abaixo dos dez dólares”.

Do outro lado da barricada, uma petição foi lançada por um escritor independente em que se pede que seja a Hachette e não a Amazon a boicotada (Stephen Colbert encabeçou no seu programa de televisão uma campanha em que pede que não se comprem livros no site de Jeff Bezos), por ser a editora que quer que os leitores paguem mais para ganhar uma maior parte dos lucros, enquanto paga menos aos escritores. A petição tem mais de 7400 subscritores.

A 27 de Maio, a Amazon disse no seu fórum de clientes não estar “optimista” quanto à resolução do diferendo em breve, sublinhando que as negociações serão “em prol dos clientes” e que a situação afecta apenas 11 em mil dos seus produtos – e recomendou mesmo aos seus  clientes que adquiram o que procuram na concorrência. 
Para já, este braço-de-ferro afecta apenas os Estados Unidos, onde a Amazon controla 65% do mercado de livros electrónicos, mas vários especialistas temem que a raiz do problema se venha a reflectir e ramificar noutros mercados pelo mundo.