Prejuízos disparam e Amazon volta a dizer aos investidores para esperarem

Vendas subiram, mas empresa teve novamente resultados negativos.

Um armazém da Amazon, no Reino Unido
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Um armazém da Amazon, no Reino Unido Phil Noble/Reuters

Para a Amazon, que em 20 anos se transformou de livraria online em loja de tudo, a apresentação de prejuízos está longe de ser uma ocasião rara. A empresa tem dito ao longo do tempo que a estratégia é de retorno a longo prazo. Voltou agora a dizer aos investidores que terão de esperar para ver resultados. Teve 126 milhões de dólares de prejuízo no último trimestre e avisou que o próximo será muito pior.

O volume de negócios da empresa até aumentou, com as vendas a subirem 23%, para 19,34 mil milhões de dólares, mas os resultados afundaram 1700%  no mesmo trimestre do ano passado, os prejuízos tinham sido de sete milhões de dólares.

Na comunicação trimestral de resultados, feita nesta quinta-feira após o fecho das bolsas nos EUA (durante a noite em Portugal), a Amazon avisou que o terceiro trimestre será muito pior e apresentou uma estimativa de 810 milhões de dólares de prejuízos operacionais (ou seja, o resultado das actividades centrais da empresa). Por comparação, nos três meses que terminaram em Junho, o prejuízo operacional foi de 15 milhões de dólares. Já a previsão de vendas aponta para valores próximos dos que foram agora comunicados.

O director financeiro da Amazon, Thomas Szkutak, explicou os resultados negativos com a linha de argumentação a que a empresa habituou os investidores: “Não estamos a tentar optimizar para termos lucro a curto prazo. Estamos a investir no interesse dos clientes e accionistas. Temos a sorte de ter estas oportunidades”, afirmou. Porém, não terá conseguido convencer o mercado: depois de uma semana de relativa estabilidade, a cotação no Nasdaq abriu no vermelho e caía esta tarde cerca de 11%, para valores em torno dos 318 dólares.

Ao longo deste trimestre, a Amazon apresentou uma série de novidades. Na semana passada, arrancou com um novo modelo de venda de livros por assinatura. Disponível apenas nos EUA, os clientes podem pagar dez dólares por mês para lerem quantos livros electrónicos quiserem, do leque de publicações cujos editores tenham aderido ao sistema. Há, no entanto, vários best-sellers que não podem ser lidos nesta modalidade e muitos dos títulos são edições de autor ou clássicos que já estavam no domínio público e que podiam, por isso, ser lidos livremente.

Já no mês passado, a Amazon apresentou o seu primeiro telemóvel. Na lista de equipamentos fabricados pela empresa, veio juntar-se aos vários leitores de livros electrónicos e ao tablet Kindle Fire. O Fire Phone (que, por ora, será vendido apenas nos EUA) inclui um sistema para facilitar a compra de produtos na loja online, mas recebeu críticas muitas negativas pela abundância de funcionalidades de pouca utilidade.

Também neste trimestre, a empresa lançou um serviço de música e criou três séries infantis de animação. Na Europa, investiu na melhoria do sistema de distribuição, para acelerar o tempo de entrega dos produtos em vários países.