Liberdade e Futuro, os temas da primeira feira do livro organizada pela Câmara do Porto

"Festival literário" tem já uma lista de convidados e um programa de concertos de spoken word, com Capicua, Nástio Mosquito e Luxúria Canibal, entre outros.

O Prémio Pessoa de 2012, Richard Zenith, é um dos convidados da Feira do Livro do Porto, que se realiza de 5 a 21 de Setembro
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O Prémio Pessoa de 2012, Richard Zenith, é um dos convidados da Feira do Livro do Porto, que se realiza de 5 a 21 de Setembro Nuno Ferreira Santos

Vai ser uma edição de dupla face. A manter o nome de sempre, a Feira do Livro do Porto, pela primeira vez, em 80 anos, organizada pelo município, vai fechando uma programação que lhe dá o prometido ar de Festival Literário, mudança de filosofia conhecida há uma semana. Esta quarta-feira ficaram a saber-se alguns nomes e o tema para as conversas em torno dos livros. “Liberdade” e “Futuro” são os motes desta primeira edição que implica um regresso aos jardins do Palácio de Cristal. Ao lado, o auditório da Biblioteca Almeida Garret acolherá entre 5 e 21 de Setembro dez debates entre escritores, entre outras iniciativas.

A região já tem um excelente festival literário internacional de fim de Inverno, o Corrente d’Escritas, na Póvoa de Varzim, e o LEV – Literatura em Viagem, que Matosinhos vem organizando em Maio há oito anos. Com as mudanças introduzidas na Feira do livro do Porto, a autarquia liderada por Rui Moreira, que assume pela primeira vez a organização do evento, após o rompimento das negociações com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, parece querer ocupar, no final do Verão, um espaço semelhante. Para já, apostando essencialmente na literatura portuguesa.

O único “estrangeiro” na lista de convidados divulgada esta quarta-feira pela autarquia é o prémio Pessoa de 2012, Richard Zenith, mas o crítico literário e eminente pessoano nascido em Washington, D.C. já tem nacionalidade portuguesa, tal como Gonçalo M. Tavares, José Pacheco Pereira, Pedro Mexia, Manuel Alegre, Rita Ferro, Francisco José Viegas, Helena Vasconcelos, Clara Ferreira Alves, Valter Hugo Mãe, Gonçalo Cadilhe e Mário Cláudio, presenças habituais em feiras de livro e que são outros dos nomes anunciados no mesmo dia em que a feira ganhou espaço no Facebook.

Foram também revelados os convidados para as sessões de Spoken Word, outra das novidades do programa. Para dar voz à palavra escrita subirão ao palco da biblioteca Capicua, a voz de Sereia Louca, Adolfo Luxúria Canibal, que lançou este ano o trabalho Estilhaços Cinemáticos, os Osso Vaidoso de Ana Deus e Alexandre Soares, o rapper Chullage e o artista plástico angolano Nástio Mosquito, que no ano passado editou Se eu fosse angolano.

No mesmo espaço terá início um já anunciado ciclo de cinema dedicado ao realizador e escritor Pier Paolo Pasolini e um outro programado em torno do “livro enquanto personagem de filmes”. Em comunicado, o município adianta que está prevista a exibição de obras de realizadores como François Truffaut, Carl Dreyer, Manoel de Oliveira ou Vicente Minnelli, apresentadas por diversas figuras da cultura portuguesa, tais como Júlio Machado Vaz, António Preto, Rui Reininho e Abi Feijó. O ciclo dedicado a Pier Paolo Pasolini será ainda acompanhado por uma exposição de fotografia dedicada ao realizador e escritor, em torno da qual acontecerão debates sobre a sua obra, em parceria com o CineCoa e a Cinemateca de Bolonha.

Como já fora revelado pelo PÚBLICO, na programação incluem-se ainda duas edições das Quintas de Leitura, transferidas do Teatro do Campo Alegre, onde habitualmente se realizam, para o auditório da biblioteca. Na Galeria Municipal, no mesmo edifício, está prevista a instalação de uma exposição de ilustração infantil, para a qual se prometem, ainda sem concretizar, “importantes nomes nacionais do panorama de edição português e internacional”. Paralelamente, também as inaugurações nas galerias da Rua de Miguel Bombarda, nas proximidades, se associarão a este “festival”.

A autarquia já assumira que vai preparar um espaço para o lançamento de livros e sessões de autógrafos mas, questionado pelo PÚBLICO, o gabinete de imprensa do município escusou-se a adiantar o número de livreiros inscritos até esta quarta-feira, explicando que só o fará terminado o prazo de inscrição, a 31 de Julho. Segundo a mesma fonte, até há uma semana, “perto de duas dezenas de livreiros” tinham manifestado intenção de participar, um número que a assessoria de imprensa garantia estar ainda assim “dentro das expectativas”. O preço praticado no Porto é de 400 euros por pavilhão, quase um quinto do que vinha sendo pedido pela APEL. Na Feira do Livro de Lisboa, esta entidade pedira 1800 euros por espaço, no mínimo, em 2013.