Editorial

O fim disto tudo no Grupo Espírito Santo?

O banqueiro mais influente do país nos últimos 15 anos, o "DDT", é suspeito de crimes graves.

O império Espírito Santo está a cair como um baralho de cartas. No mesmo dia em que o ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) foi constituído arguido, a holding da família ESFG também pediu uma protecção contra credores para evitar uma falência descontrolada. É a derrocada do império da família.

A ESFG é uma holding que controla 100% da seguradora Tranquilidade e 20% do capital do BES e é o único cordão umbilical que nesta altura liga a família ao banco. Num processo de insolvência controlada, o mais provável é que o grupo seja obrigado a alienar os activos que não estão hipotecados para ressarcir os credores. E isto pode significar cortar o tal cordão umbilical. E nesse cenário caberá aos actuais e a eventuais novos accionistas do banco decidirem se mantém a marca comercial BES, ou seja, se encaram o nome "Espírito Santo" como um activo ou como um passivo.

Paralelamente, Ricardo Salgado, que era tratado pela família como "DDT" – "Dono Disto Tudo", é chamado ao Tribunal Central de Instrução Criminal para prestar esclarecimentos sobre o processo Monte Branco. Entra como arguido e sai indiciado pela eventual prática de crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais.

As medidas de coacção que lhe foram impostas reflectem a gravidade da suspeita: “Caução, no montante de três milhões de euros, proibição de ausência do território nacional e proibição de contactos com determinadas pessoas.”

Caso se venham a confirmar as suspeitas, é mais uma mancha reputacional no império da família. E é preciso ter em atenção que as irregularidades que foram cometidas a nível da holding de topo do grupo, que escondeu deliberadamente perdas no balanço, ainda não foram investigadas. No meio disto tudo interessa salvar o banco e pouco mais.