Português será ensinado nas escolas primárias da Guiné Equatorial

A Guiné Equatorial conta com o apoio do Instituto Camões
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A Guiné Equatorial conta com o apoio do Instituto Camões PÚBLICO/Arquivo

O governo da Guiné Equatorial promete que o ensino do português será implementado nas escolas primárias, faltando agora a validação técnica do projecto de ensino, no âmbito do processo de entrada na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Isabel Oyono, embaixadora de carreira e coordenadora da Comissão Nacional da CPLP na Guiné Equatorial, explicou que o “Ministério de Educação já elaborou um programa curricular de ensino até à universidade”, faltando agora o apoio de técnicos para validar o modelo e formar professores.

“Esperemos que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) ou o Instituto Camões nos assessore nesse aspecto para que se aprove o programa curricular em definitivo e se comece o ensino aos guineenses”, disse Isabel Oyono.

Apesar de o português não ser utilizado por ninguém nas ruas, onde só se fala o espanhol e o fang (um dialecto da maior etnia do país), Isabel Oyono está confiante no projecto de introdução da nova língua. “O português é o terceiro idioma oficial só há pouco mais de um ano”, diz a coordenadora.

Há 15 anos, a Guiné Equatorial iniciou o processo de adesão à francofonia e o país continua sem falar francês. Também então foi prometido que o francês iria ser estendido à população mas não foi cumprido. Só que, desta vez, o país aprendeu com os erros. “Vai ser diferente do francês. Quando a Guiné Equatorial aderiu à francofonia, fizeram-se cursos muito superficiais, mas com o português queremos começar nas escolas primárias”, explica Isabel Oyono.

Para a responsável do projecto, cada “guineense está entusiasmado com a possibilidade de falar idiomas, em particular o português”. Até porque, diz, “por lei natural, a Guiné Equatorial é membro da família lusófona”, já que o país foi colonizado mais tempo por portugueses do que espanhóis. O país foi entregue à coroa espanhola em 1777 no quadro do tratado de São Ildefonso que redefiniu as fronteiras interiores do Brasil com o resto da América Latina para além dos limites de Tordesilhas.

Por isso, há uma boa imagem dos portugueses que deve ser capitalizada. Exemplo disso, é o facto de as aulas de português, ministradas através da Embaixada do Brasil, terem uma forte adesão, salienta. “O guineano aprende idiomas facilmente e especialmente o português”, embora “com acento brasileiro”, diz Isabel Oyono, salientando que estes cursos pontuais já conquistaram vários elementos da hierarquia do Estado, como o reitor da Universidade da Guiné Equatorial ou o ministro dos Assuntos Exteriores.

No entanto, o objectivo é iniciar no próximo ano lectivo “centros-piloto” para testar o ensino da língua, esperando também a criação do futuro “centro cultural de expressão portuguesa”. Além disso, o país tenciona, através da CPLP, fazer um concurso para docentes de português dos países lusófonos que venham dar formação aos seus docentes. Os “professores de línguas do Ministério da Educação irão ter formação adicional e especifica e serão eles os professores de português na Guiné Equatorial”, acrescenta Isabel Oyono.