Alexander Kristoff impede vitória de Jack Bauer

Pelotão da Volta a França anulou fuga de 220 km nos metros finais.

Jack Bauer (Garmin) e Martin Elmiger (IAM) pedalaram sozinhos durante quase toda a etapa
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Jack Bauer (Garmin) e Martin Elmiger (IAM) pedalaram sozinhos durante quase toda a etapa Lionel Bonaventure/AFP

O neozelandês Jack Bauer (Garmin-Sharp) e o campeão suíço Martin Elmiger (IAM Cycling) pedalaram sozinhos mais de 220 dos 222 quilómetros da 15.ª etapa da Volta à França, mas foram impiedosamente apanhados pelo pelotão nos últimos 50 metros. A vitória no sprint sorriu a Alexander Kristoff, que também já tinha triunfado na anterior etapa plana (10.ª).

Na frente da corrida ficou tudo igual, com Vincenzo Nibali a manter com segurança a sua grande vantagem de 4m37s sobre Alejandro Valverde na geral. Rui Costa, o melhor do quinteto português, continua no 13.º lugar. Hoje vive-se o segundo e último dia de descanso da prova, antes da entrada nos Pirenéus, já amanhã.

Faltaram alguns metros para Bauer, o último dos dois fugitivos a ceder, tornar-se no primeiro atleta da Nova Zelândia a ganhar uma etapa do Tour, mas no final impôs-se a ditadura das equipas dos sprinters, que tinham em Nimes, palco da meta, a antepenúltima possibilidade de ganhar.

“É uma amarga desilusão. Tão perto, contudo tão longe. Pensei que tinha a etapa ganha, mas depois percebi nos últimos 50 metros que não tinha ganho nada”, disse o homem da Garmin, que não conteve as lágrimas após cortar a meta no 10.º lugar.

A vantagem máxima dos animadores do dia foi de 8m50s, antes de as equipas interessadas numa chegada ao sprint tomarem conta do pelotão. Giant-Shimano (Marcel Kittel), Lotto-Belisol (André Greipel) e a Katusha (Kristoff), mas também a Omega Pharma-Quick Step (talvez pensando nas possibilidades de Renshaw e Trentin) assumiram a perseguição. Mas também decisiva foi a aceleração da AG2R (Bardet e Péraud) e da BMC (Van Garderen), eventualmente interessadas num corte no pelotão que as condições meteorológicas (vento e chuva) pareciam favorecer — acção a que a Astana teve de responder para colocar Nibali em boa posição no grupo.

No final, foi mais forte Kristoff, o homem que há dois anos foi terceiro na prova de estrada dos Jogos Olímpicos (Bauer foi, então, 10.º). Aos 27 anos, passou a ser o terceiro norueguês com pelo menos duas vitórias na Volta à França. Superou Kurt-Asle Arvesen (2008) e Dag Otto Lauritzen (1987), igualou Edvald Boasson Hagen (duas em 2011), mas ainda está longe do currículo de Thor Hushovd, vencedor de dez etapas entre 2002 e 2011.

“Thor Hushovd enviou-me uma sms após a minha primeira vitória a dizer que ainda me faltavam nove para o apanhar. São muitas e não acho que vá acontecer”, referiu o homem da Katusha, que admitiu não ser o mais rápido do pelotão. “Penso que Greipel e Kittel acusaram a fadiga. Normamente, eles ganham-me neste tipo de etapa”.

O segundo da etapa foi o australiano Heinrich Haussler (IAM) e quem fechou o pódio foi o eslovaco Peter Sagan (Cannondale), dono da camisola verde e presente no top 5 pela nona vez no Tour 2014, mas ainda sem conseguir qualquer triunfo.

Nélson Oliveira (18.º) e Rui Costa (25.º), os portugueses da Lampre-Merida, cruzaram a meta com o mesmo tempo do vencedor. Dezoito segundo depois, chegaram José Mendes (77.º) e Tiago Machado (78.º), da NetApp-Endura. Sérgio Paulinho (Tinkoff-Saxo) foi, desta vez, o mais atrasado (159.º, a 12m20s).