Torne-se perito

Administrador do S. João aponta falta de autonomia como o grande problema do hospital

António Ferreira e a sua equipa estiveram no Parlamento. BE duvida que as garantias dadas pelo ministro Paulo Macedo sejam suficientes para reverter a situação de instabilidade que se criou no hospital.

Um mês depois de 66 chefias do Hospital de S. João se terem demitido, o presidente do conselho de administração, António Ferreira, foi esta quarta-feira ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, onde disse que a falta de autonomia de gestão é o grande problema daquela unidade de saúde do Porto.

O administrador do Centro Hospitalar de S. João (CHSJ) fez o ponto da situação das negociações com o ministro da Saúde, Paulo Macedo, que lhe permitiram já a contratação de médicos e de assistentes operacionais, mas não revelou se o Estado pretende liquidar a dívida de 73 milhões de euros que mantém para com o hospital.

Os deputados Luisa Salgueiro, do PS, e João Semedo, do Bloco de Esquerda, questionaram o administrador sobre as “condições extremas” que levaram, no passado dia 19 de Junho, à demissão dos oito responsáveis pelas Unidades Autónomas de Gestão e dos 58 directores de serviço - que alegaram falta de condições para manter a qualidade dos serviços prestados - e quais as garantias dadas pela tutela no sentido de se ultrapassar o problema.  

O deputado João Semedo considerou-as insuficientes para estancar a instabilidade que se gerou no CHSJ e lançou uma provação: “Alguém está a enganar alguém. Ou é o Governo que anda a enganar o hospital ou é o dr. António Ferreira que anda a enganar-nos”. “Os problemas que levaram à demissão das 66 chefias e à ingovernabilidade do hospital não me parece que tivessem ficado resolvidos. Não me parece que as garantias dadas tenham revertido a situação. Tudo isto parece um jogo de faz de conta”, disse o deputado ao PÚBLICO.

Sobre o que aconteceu no Hospital de S. João, o também coordenador do BE tem, contudo, uma certeza: ”Enquanto existir este complexo burocrático-administrativo com que os ministérios das Finanças e da Saúde asfixiam os hospitais, o problema resolve-se hoje, mas daqui a dois ou três meses está tudo igual”. “Esta política é a garantia da instabilidade nos hospitais.”

Perante os deputados, António Ferreira negou que a instituição a que preside tenha sido privilegiada e empenhou-se em mostrar a eficiência da sua gestão, afirmando que outros hospitais de dimensão semelhante à do CHSJ gastariam mais 138 milhões de euros para tratar os doentes que o hospital trata. O administrador sublinhou que “o contrato-programa com o CHSJ não tem nada a ver com os do resto do país" e proclamou que “a diferença do financiamento é abissal”. “O CHSJ tem cumprido a sua missão com níveis de eficiência incomparáveis com os dos hospitais semelhantes no resto do país”, declarou.

Outro administrador, com o pelouro das finanças, Amaro Ferreira, referiu que, se os outros cinco hospitais de dimensão equivalente à do CHSJ tratassem os doentes com o mesmo custo, o Estado teria poupado 185 milhões de euros no ano passado .


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