Pedro Costa estreia novo filme em Locarno

Cavalo Dinheiro é o título da obra do realizador em competição. Costa não filmava uma longa-metragem desde 2009.

Pedro Costa vai apresentar em Locarno o seu último trabalho
Fotogaleria
Pedro Costa vai apresentar em Locarno o seu último trabalho DR/Jussi Leinonen
Fotogaleria
Cavalo Dinheiro é a primeira longa-metragem de Pedro Costa em cinco anos DR

Este ano, é a vez de um dos realizadores portugueses mais aclamados internacionalmente, Pedro Costa, estar a concurso no certame que se define como “a capital do cinema de autor” ao longo dos seus dez dias. Cavalo Dinheiro é o título do novo filme, que traz de novo Ventura, figura central da obra do cineasta desde Juventude em Marcha.

Pelo quarto ano consecutivo, o festival de cinema de Locarno – um dos três mais antigos do mundo a seguir a Cannes e Veneza – presta especial atenção ao cinema português.

Pedro Costa, o cineasta português da geração pós-25 de Abril mais aclamado internacionalmente, estreará o seu novo filme na competição oficial do festival, que decorre entre 6 e 16 de Agosto próximo. Chama-se Cavalo Dinheiro (Horse Money no título internacional,) e os pormenores não abundam ainda. Sabe-se da presença no elenco de Ventura, figura constante na obra do cineasta desde a sua anterior ficção de longa-metragem, Juventude em Marcha (2006), cuja presença na competição de Cannes ajudou a instalar o realizador de O Sangue e Ossos na “primeira linha” do cinema de autor contemporâneo.

Cavalo Dinheiro é a primeira longa-metragem de Pedro Costa desde o documentário de 2009 Ne Change Rien; durante estes cinco anos o cineasta dirigiu apenas duas curtas, O Nosso Homem (2010) e Sweet Exorcist (2012, segmento do filme colectivo Centro Histórico). Trata-se da terceira passagem de Costa pela competição de Locarno, depois de No Quarto de Vanda, em 2000, e do filme colectivo Memories, partilhado com Eugène Green e Harun Farocki, em 2007.

Não foi possível até agora ao PÚBLICO obter um comentário do realizador.

Locarno apresentará igualmente, fora de concurso, o novo filme do prolífico Edgar Pêra, Lisbon Revisited. Trata-se de uma nova experiência em 3D do cineasta após a sua contribuição para o filme colectivo de Guimarães 3x3D, retirando o seu título e inspiração ao poeta Fernando Pessoa e aos seus múltiplos heterónimos.

É o quarto ano consecutivo em que Locarno tem obras de produção portuguesa nas competições do certame. Em 2011 É na Terra, Não é na Lua de Gonçalo Tocha venceu a menção especial na selecção paralela Cineastas do Presente, dedicada a primeiras e segundas obras. Em 2012 A Última Vez que Vi Macau de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata esteve na selecção oficial, e em 2013 E Agora? Lembra-me de Joaquim Pinto, também no concurso oficial, venceu o Prémio Especial do Júri.

Para além disso, o festival tem sido um apoiante regular do novo cinema português; mostrou em estreia em 2013 o último filme de Paulo Rocha, Se Eu Fosse Ladrão Roubava, e acolheu nas múltiplas secções competitivas A Zona de Sandro Aguilar, O Capacete Dourado de Jorge Cramez, André Valente de Catarina Ruivo, A Raiz do Coração de Paulo Rocha, Os Olhos da Ásia de João Mário Grilo ou Corte de Cabelo de Joaquim Sapinho.

Cavalo Dinheiro será um dos 17 filmes competindo pelo Leopardo de Ouro no Concurso Internacional, definido pela organização como uma escolha de “cinema livre de códigos de género e categorias da indústria”. Costa competirá com obras dos documentaristas Fernand Melgar (L'Abri) e J. P. Sniadecki (The Iron Ministry), e ficções de cineastas como o franco-americano Eugène Green (La Sapienza), o americano Alex Ross Perry (Listen Up Philip) ou o filipino Lav Diaz (From What Is Before). Muitos destes cineastas têm sido acompanhados ou revelados em Portugal pelas selecções do IndieLisboa e do DocLisboa. 

O júri da competição internacional é presidido pelo realizador italiano Gianfranco Rosi (vencedor do Leão de Ouro de Veneza 2013 por Sacro GRA e anteriormente do DocLisboa com El Sicario Room 164), e conta ainda com os cineastas Thomas Arslan e Yiao Dinan, e pelas actrizes Alice Braga e Connie Nielsen.

O único filme português a vencer o Leopardo de Ouro até hoje foi O Bobo, de José Álvaro de Morais, em 1987, com as curtas O Ralo, de Tiago Guedes e Frederico Serra, e Menos Nove, de Rita Nunes, premiadas em 1999 com o “Leopardo de Amanhã” para jovens cineastas.

Portugal estará ainda presente na secção competitiva Cineastas do Presente, reservada a primeiros e segundos filmes, através do documentário Songs from the North da cineasta sul-coreana Soon-Mi Yoo, co-produzido pela portuguesa Rosa Filmes. Quatro projectos de países africanos de língua portuguesa foram igualmente seleccionados para o forum de apoio à produção Open Doors, dedicado este ano à África sub-saariana; no âmbito deste forum serão ainda projectados filmes de Ruy Duarte de Carvalho, Pocas Pascoal e Ruy Guerra.

A edição 2014 de Locarno abre dia 6 de Agosto próximo com a estreia de Lucy, de Luc Besson, com Scarlett Johansson e Morgan Freeman, em projecção para o público ao ar livre na Piazza Grande e encerra a 16 de Agosto com Geronimo de Tony Gatlif.

O grande cineasta espanhol Victor Erice, autor de O Espírito da Colmeia, receberá o Leopardo de Carreira, e Agnès Varda, viúva de Jacques Demy e talvez a mais importante realizadora francesa revelada pela Nouvelle Vague, o Leopardo de Honra. Igualmente homenageadas com prémios honorários serão as actrizes Juliette Binoche e Mia Farrow e o actor Armin Müller-Stahl.

A retrospectiva da edição 2014 será dedicada à Titanus, uma das mais importantes produtoras italianas do pós-guerra, com a exibição de quase 50 filmes produzidos pelo estúdio entre 1922 e 1990 – entre os quais obras maiores de Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Luigi Comencini, Valerio Zurlini, Vittorio de Sica, Alberto Lattuada, Mario Bava ou Dario Argento. Momento alto será a projecção de O Leopardo de Luchino Visconti ao ar livre, na Piazza Grande.