Thibaut Pinot, o trepador que não sabe descer

Foto
Thibaut Pinot tem uma fobia complicada para um ciclista DR

Os franceses olhavam para o miúdo de Mélisey e viam Richard Virenque, o último grande trepador tricolor. Viam o sonho de lutar pelo pódio do Tour. Um ano depois, tudo mudou. Chegaram os Pirenéus e com eles o tormento. Dois dias nas montanhas, mais de meia hora de atraso para Chris Froome. Teria o talento natural para subir desaparecido numa temporada? Não. O problema era outro.

“Algumas pessoas têm medo de aranhas ou cobras. Eu tenho medo da velocidade”. A fobia foi evidente na descida para Pailhères, na primeira etapa pirenaica. “Quando percebi que não conseguia manter-me na roda de um corredor como o Mark Cavendish na descida de uma montanha, questionei-me “O que estou a fazer no Tour?”. Pinot cortou a meta em lágrimas, no grupeto dos sprinters, a 25 minutos dos primeiros. Mais do que vergonha, sentia uma terrível impotência. “Não sei se algum dia vou ultrapassar este trauma. Durante a etapa, o meu único objectivo era sobreviver”.

O bloqueio era antigo. Em júnior, numa descida, escolheu mal a trajetória e caiu. Ao levantar-se, tinha dois braços partidos e um trauma para a vida. Situações drásticas exigem medidas drásticas. O director desportivo Marc Madiot falou com um amigo de longa data e Max Mamers, “patrão” do Troféu Andros, inventou uma solução. Depois de desistir do Tour 2013, deprimido e frustrado, Pinot deixou-se convencer a testar a sua fobia em quatro rodas. 

No início deste ano, este fã de óculos retro Oakley encarou o circuito de Magny-Cours como se de uma descida dos Pirenéus se tratasse. Entrou num carro de corrida e acelerou. Tomou o gosto à vertigem da velocidade. Semanas depois, testou as aptidões velozes na neve do Alpe D’Huez. “Sei que estou tenso na bicicleta, é o meu ponto fraco. As corridas de automóveis ajudam-me, porque preciso de acreditar em mim”. Para estar mais relaxado no combate à fobia, Pinot pediu à FDJ liberdade total para este Tour. O seu único objectivo, admite, é sentir-se tão confortável a descer os Pirenéus como a subir.