Miguel Manso
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Megafone

O fenómeno Chet Faker na noite do palco Heineken

Na última noite de Optimus Alive, as atenções voltaram-se para um dos palcos secundários. Responsabilidade de Chet Faker, Unknown Mortal Orchestra, The War On Drugs e Cass McCombs

Quem viu o concerto do australiano Chet Faker na discoteca Lux, em Lisboa, há pouco mais de um ano, lembra-se que o artista australiano agradeceu timidamente ao público confessando que não sabia ser assim tão conhecido em Portugal. Se este ano, Nicholas Murphy, mais conhecido por Chet Faker, já sabia com o que podia contar, a verdade é que a euforia do público que assistiu ao espectáculo deve ter superado as suas expectativas.

Passavam cerca de vinte minutos da uma quando o músico de 26 anos subiu ao palco Heineken. A tenda transbordava de fãs, muitos com cartazes alusivos, não só à música, mas também à já conhecida barba do artista. “I’m Into You”, do EP “Thinking In Textures”, foi o arranque para um concerto que se desenrolou em conjunto com o público — a audiência mostrou que sabia o que estava a ouvir e a cada pausa do cantor o histerismo era evidente.

Daquele EP, foram altamente aplaudidas e cantadas as músicas “No Diggity” (tema original de Blackstreet, 1996), “Cigarrettes and Chocolate” e “Love and Feeling”. Do mais recente álbum ouviram-se, entre outros, temas como “Blush”, “1998” e “Drop The Game”. Se a voz de Nicholas Murphy já encanta muita gente, como DJ a actuação do australiano é igualmente genial. Não restam dúvidas de que Chet Faker é um fenómeno.

Numa noite que se fez mais no palco Heineken do que no principal, merecem especial destaque as actuações de Unknown Mortal Orchestra, The War On Drugs e Cass McCombs. Os primeiros, neozelandeses, ofereceram ao público rock de qualidade, numa sonoridade que se apresenta diferente ao vivo do que em disco. A melosa “So Good At Being In Trouble” não faltou, mas o espectáculo foi marcado pelo som mais rock e por um incrível solo de bateria no início.

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Jungle Miguel Manso

A banda liderada por Adam Granduciel foi também uma das preferidas do palco Heineken. Os norte-americanos The War On Drugs, que subiram ao palco ainda antes das 20h, tiveram uma audiência privilegiada a contar com a dupla Phantogram (Josh Carter e Sarah Barthel) a assistir ao concerto. Percebe-se porquê — Granduciel e a sua banda são bons e o álbum "Lost In The Dream", lançado este ano, é muito bom. O vocalista fez alusões aos concertos da noite anterior — MGMT e The Black Keys —mas a audiência estava muito mais interessada no som das guitarras e sintetizadores da banda, naquele que foi um bem conseguido concerto de fim de tarde.

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Foster The People Miguel Manso

Antes deles tinha estado, no mesmo palco, o norte-americano Cass McCombs que permitiu ao público gozar de um fim de dia de calor a abanar o corpo ao som das suas baladas blues/folk, que, ao ritmo da sua voz soul/country, fazem todo o sentido.

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The War On Drugs Miguel Manso

No palco principal estiveram, entre outros, a banda londrina Bastille que agarrou um público jovem com os seus principais hits como "Bad Blood", "Pompeii" ou "Flaws". Também pop, mas num estilo diferente, merece especial destaque a actuação da banda de Los Angeles, Foster The People. O grupo deu um espectáculo que prendeu a audiência do princípio ao fim — Mark Foster canta, dança, toca piano e guitarra e mostra que está a sentir o que toca. O público também o sentiu e todos se lembravam de temas como “Houdini”, “Pumped Up Kicks” (que foi a loucura) ou “Call It What You Want” do álbum “Torches”, lançado em 2011. Do disco “Supermodel”, lançado este ano, foram freneticamente dançados, entre outros, “Coming Of Age” e “Best Friend”.

É verdade que estiveram também no Palco NOS os cabeças de cartaz Libertines, mas é preciso fazer escolhas. E os geniais Jungle estavam no Palco Clubbing a partir tudo com temas como “Heat” ou “Time”.

O Optimus Alive está de volta para o ano e assume, definitivamente, a identidade NOS Alive — nos dias 9, 10 e 11 de Julho, de acordo com Álvaro Covões, da Everything is New, responsável pela organização do festival. Nós lá estaremos.