Morreu Tommy, o último dos fundadores dos Ramones

Baterista e produtor da banda que definiu o punk não resistiu a um cancro.

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Os membros da banda original: Tommy é o segundo à direita Catherine Betts/Rhino Records/Reuters

Tommy Ramone, baterista e o último sobrevivente da formação inicial da banda que se tornou sinónimo de punk-rock, morreu na sexta-feira em Nova Iorque. Tinha 62 anos e estava há vários meses a ser tratado a um cancro das vias biliares.

A informação foi confirmada pela página oficial dos Ramones no Facebook. Segundo a revista Variety, o músico e produtor morreu na sua casa em Queens, Nova Iorque, mas outras fontes adiantam que estaria ainda hospitalizado.

Nascido em Budapeste, com o nome de Erdelyi Tamas emigrou aos seis anos com a família para Nova Iorque e foi em Queens que conheceu os restantes três membros da banda que definiu um estilo musical e se tornou de culto, recorda a revista norte-americana. O guitarrista John Cummings – mais tarde Johnny Ramone –, o baixista Douglas Colvin (Dee Dee Ramone) e Jeffrey Hyman (Joey Ramone), a voz do grupo.

No início, Tommy estava destinado a ser apenas o manager e Joey o baterista. "Mas começaram a tocar cada vez mais rápido e eu não consegui acompanhar isso na bateria", conta Joey no livro Please, Kill Me, uma história da banda escrita por Legs McNeil e Gillian McCain. "O Tommy teve que se sentar à bateria porque mais ninguém o queria fazer", completa Dee Dee no mesmo livro.

Tommy gravou os três primeiros álbuns, considerados pela crítica como os melhores da banda, e ainda o primeiro álbum que gravaram ao vivo – Ramones (1976), Leave Home (1977), Rocket to Russia (1977) e It's Alive (gravado em 1977  Rainbow Theatre, em Londres) – e a sua energia na bateria era o motor do ritmo frenético da sonoridade que os Ramones impuseram a uma década. Foi também o responsável por I Wanna Be Your Boyfriend e boa parte de Blitzkrieg Bop, dois dos grandes sucessos da banda. Deixou os palcos em 1978, sendo substituído na bateria por Marc Bell (Marky Ramone), mas continuou ligado à banda – co-produziu os álbuns seguintes, incluindo Too Tough to Die em 1984.


"Eles faziam a contagem para a música - 'one, two, three, four' - e eramos atingidos com aquela explosão de barulho. Sentiamos físicamente a recuperação do primeiro choque, como uma ventania, e antes que me apercebesse, eles paravam de tocar", relembra McNeil, o biografo da banda. "Aparentemente estavam a tocar alguma coisa de diferente, mas estavam tão chateados uns com os outros que atiravam as guitarras ao chão e saíam do palco", escreve.

Os Ramones continuaram a actuar até 1996 e cinco anos depois do último espectáculo Joey morria de cancro, um linfoma. Dee Dee foi vítima no ano seguinte de uma overdose e Johnny morreu em 2004 com um cancro da próstata. Em 2002, já sem Joey, os Ramones foram integrados no Rock and Roll Hall of Fame.

Em 1978, ainda com pouca distância sobre o fenómeno que criaram, Tommy dizia que os Ramones eram mais do que uma banda. “Não se tratava apenas de música, mas de uma ideia. A de trazer de volta toda aquela sensação que estava a faltar na música rock – foi todo um impulso para dizer algo de novo e diferente”.