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Luísa Magalhães de Almeida, 34 anos, é Engenheira do Ambiente DR
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A Sexta de Bicicleta de Luísa Magalhães

Anda de bicicleta desde miúda mas começou a usá-la como meio de transporte para ir trabalhar há pouco tempo. A engenheira Luísa Magalhães aconselha a prática a todos

A Luísa Magalhães de Almeida, 34 anos, é Engenheira do Ambiente, e trabalha na Agência Municipal de Energia - Ambiente Lisboa E-nova, parceira da MUBi no projeto Bike to School. Tem um filho e vive em Carcavelos, deslocando-se para Lisboa para trabalhar. Inscreveu-se no Sexta de Bicicleta nesta Primavera, mas há muito mais tempo que utiliza a bicicleta em boa parte das suas deslocações, seja à sexta-feira ou noutros dias. Anteriormente, recorria, por vezes, ao automóvel, para as suas deslocaçoes pendulares mas o comboio era o seu transporte habitual. Actualmente, este é um complemento essencial à bicicleta para cobrir a distância que separa o seu local de trabalho da sua residência.

O que te levou a começar a usar a bicicleta para te deslocares?

Sempre gostei de andar de bicicleta, em miúda e enquanto vivia no Porto. Vim para Lisboa há dez anos e nunca pensei em utilizar a bicicleta como meio de transporte, enquanto aqui vivi. Mas quando casei, fui viver para Carcavelos e um dos presentes de casamento que recebemos foram duas bicicletas. Comecei a utilizá-la de vez em quando, para vir trabalhar para Lisboa, e adoro! É uma experiência fantástica! Parece que “estou de férias”, durante o dia de trabalho... Para além das questões ambientais, económicas e por ser um meio de transporte, também utilizo a bicicleta para substituir o ginásio. Tenho pouco tempo para fazer exercício, não gosto de ginásios e penso que a bicicleta é uma opção barata, saudável e gira para se fazer desporto. Desde que uso a bicicleta não tenho problemas de trânsito, estacionamento e sei exactamente o tempo que demoro a chegar a cada sítio.

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De que formas usas a bicicleta à sexta-feira? (casa-trabalho, compras, filhos, em combinação com transportes públicos,...)

Não uso a bicicleta todas as sextas-feiras, apenas algumas. Utilizo-a para me deslocar para o trabalho sempre que posso, duas a três vezes por semana, especialmente na Primavera e no Verão. Quando a utilizo, levo o meu filho à escola, depois levo a bicicleta no comboio (de Carcavelos ao Cais do Sodré) e vou até ao trabalho na Baixa, em Lisboa ... de vez em quando, arrisco a fazer o trajecto de Lisboa até casa, sem utilizar o comboio... é cansativo, demorado, mas vale mesmo a pena! Penso que o Sexta de Bicicleta tem atraído muita gente a experimentar este meio de transporte.

Quando te inscreveste no Sexta de Bicicleta?

Fiz a inscrição maio 2014.

Como te deslocavas antes?

Deslocava-me de comboio, e, por vezes, de carro.

Que tipo de bicicleta ou equipamento?

Tenho uma bicicleta urbana, clássica, com cadeirinha atrás, para levar o meu filho à escola. Uso sempre capacete.

O que muda na tua vida nas sextas-feiras em que levas a bicicleta contigo?

Para além de ser um meio de transporte, com a bicicleta faço exercício físico e aproveito para passear à hora do almoço. Nos dias em que trago a bicicleta parece que me sinto mais animada e de férias.

Existem alguns mitos (sobre a utilização da bicicleta) que tenhas vencido?

O mito de ser perigoso andar de bicicleta na rua. Achava também que seria impossível ir de bicicleta de Carcavelos até Lisboa, e vice-versa. Achava impossível, mas com o apoio dos transportes públicos e com vontade, tudo se faz. Andar de bicicleta em Lisboa, pelas colinas, também era um mito, mas conhecendo a cidade e andando com calma, sem problemas em levar a bicicleta pela mão sempre que necessário, tudo é possível e faz-se muito bem. Desde que comecei, percebi que, com a prática, vamos aprendendo a circular devidamente, a conhecer os percursos alternativos e a deixar cair todos os mitos.

O que poderia melhorar nos percursos que realizas?

Mais ciclovias, mais vias 30, piso menos degradado e existência de menos carros. A existência de ciclovias espalhadas por Lisboa, o novo código da estrada e o guia do velocípede foram umas boas medidas para os ciclistas! As vias BUS, em muitos sítios da cidade, deveriam ser partilhadas com as bicicletas.

Um momento em que te sentes mesmo bem a andar de bicicleta.

Adoro ir levar o meu filho à escola. Ele incentiva-me nas subidas, pede para andar devagar nas rectas e descidas... e vamos falando muito sobre o que nos rodeia, o que é óptimo. Adoro a vinda para o trabalho, pela manhã. Começo muito melhor o dia.

Uma pessoa da praça pública que gostarias de ver a andar de bicicleta e porquê?

Acho que toda a gente que possa utilizar a bicicleta deveria experimentar.

O que tens a dizer a quem diz que andar de bicicleta na sua cidade é impossível?

A minha cidade é o Porto, mas já vivo em Lisboa há dez anos e estas aventuras de andar de bicicleta na cidade começaram em Lisboa. Acho que com calma e estudando bem os percursos, sabendo quais os transportes públicos que se podem utilizar, é fácil de andar de bicicleta em qualquer cidade. Andar de bicicleta é a melhor forma de conhecermos as cidades. Dá-nos uma maior percepção e visão daquilo que nos rodeia, podemos apreciar pequenas coisas... a paisagem, as pessoas os cheiros, etc. Custa é começar, depois é um vício...