Crítica

Retrato certinho

Um filme conformista sobre a anti-conformista Violette Leduc.

Foto

A história verídica de Violette Leduc, “força da natureza” confessional e vibrante que abriu as portas a toda uma geração de escrita feminista, tem uma intérprete à altura na indomável Emmanuelle Devos. A actriz é perfeita na definição de uma mulher inteligente mas insegura, impetuosa mas perturbada, obsessiva ao ponto de ser doentia. Mas essa performance, bem como a vida tudo menos banal de Violette e a sua relação com a mentora Simone de Beauvoir, mereciam uma outra abordagem por parte do realizador Martin Provost (Séraphine) — que filma tudo no arco tradicional e conformista da narrativa biográfica, quando era exactamente contra o conformismo e a tradição que Violette batalhava. De livre, no filme de Provost, só mesmo os actores, que respondem com generosidade ao retrato certinho mas estéril que aqui se faz dos anos de ouro da intelligentsia radical francesa do pós-Segunda Guerra Mundial.