António Costa promete Cultura com ministério próprio num futuro governo

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Primeiro online, depois ao vivo, muitas personalidades da cultura deram o seu apoio a António Costa Nuno Ferreira Santos

Candidato à liderança do PS recebeu apoio de personalidades da cultura em petição na Net e ao vivo no Mercado da Ribeira

A cultura merece - e terá - um ministério próprio num eventual governo de António Costa. Um executivo em que o actual autarca promete fazer como fez em Lisboa: dialogar com os outros partidos, movimentos e associações políticas e cidadãos empenhados. As promessas foram deixadas ao fim da tarde de ontem no Mercado da Ribeira (Lisboa), que reuniu músicos, escultores, arquitectos, escritores, entre cerca de duas centenas de personalidades do mundo da cultura.

Mas mais do que um ministério, que fora reclamado nas intervenções de Delfim Sardo e de Tiago Rodrigues, a cultura precisa, diz Costa, de uma nova visão sobre a sua "função central" no futuro do país. Porque é uma "condição" da democracia, uma questão de "valores" mas também de economia. Investir na cultura e no conhecimento é a base para o desenvolvimento, disse o socialista, defendendo que, ao invés de o Estado ter uma "política de gosto" - pelo fado, ópera, arquitectura, escrita -, deve ter uma política que "assente no fomento da cultura", que inclua a valorização da língua portuguesa.

Era a resposta do candidato ao apoio dado por personalidades da cultura numa petição online lançada na semana passada e cujos primeiros subscritores são António Mega Ferreira, Miguel Lobo Antunes e José Manuel dos Santos. A Cultura apoia António Costa, assim se intitula o manifesto que conta já com cerca de 600 assinaturas, entre os quais estão, por exemplo, Carlos do Carmo, Lídia Jorge e Rui Vieira Nery. "É nosso dever encontrar uma alternativa política", diz ao PÚBLICO o musicólogo, explicando que "este manifesto surge da constatação da política de terra queimada que tem sido levada a cabo por este Governo no âmbito da Cultura".

"Os agentes culturais estão muito preocupados com a situação actual e querem chamar a atenção para a necessidade de um projecto de política alternativa que de facto ponha cultura no centro", continua Vieira Nery. "Convém que, à frente do país, esteja alguém que tenha dado provas também no sector cultural, é preciso ter essa sensibilidade", reforça Lídia Jorge ao PÚBLICO, explicando que Costa "tem dado provas de que é capaz de apoiar segmentos da cultura clássica mas ao mesmo também da cultura popular".

No Mercado da Ribeira havia, como Costa descreveu, "pessoas que são do PS, pessoas que não têm sido do PS e outras que não são do PS". A todos Costa pediu apoio para a "caminhada longa até às próximas eleições legislativas". E prometeu diálogo com todos: "Foi assim que fiz em Lisboa e é assim que quero fazer no país. E isto não passa só por um diálogo entre partidos", porque além destes "há movimentos, associações políticas e sobretudo cidadãos empenhados, preocupados e determinados a contribuir para a mudança do país".

Entre os presentes havia personalidades da música, teatro, arquitectura, literatura, artes plásticas. Alguns, perante microfones desligados, diziam estar ali apenas pela questão da cultura e não terem qualquer intuito de votar nas primárias do PS. Outros admitiam levar o apoio até às primárias, como a artista plástica Joana Vasconcelos ou Vieira Nery. Já Luís Montez, empresário, organizador de eventos musicais e genro do Presidente da República, ficou-se pela presença no evento e pela subscrição da petição, mas não irá votar nas primárias. "Estou aqui como cidadão", afirmou, acrescentando: "Não me inscrevo em nenhum partido. Sou por pessoas que têm valores e que acreditam que a cultura faz a diferença." É o caso, diz, de António Costa: "É um político da Champions League, não é da distrital, é um político ao nível do que de melhor há na Europa. Temos homem para tomar conta disto."