Seguro sobe a tejadilhos, Costa ergue o punho

O actual secretário-geral do PS esteve ontem no distrito por onde passou o seu adversário há uma semana. Oportunidade para comparar os candidatos às primárias

António José Seguro esta segunda-feira à noite numa sessão de apoio a Eduardo Vítor Rodrigues
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António José Seguro esta segunda-feira à noite numa sessão de apoio a Eduardo Vítor Rodrigues Fernando Veludo/NFACTOS

António José Seguro chegou ontem a S. Pedro do Sul (Viseu) à hora marcada. Às 17h00 estava o secretário-geral do PS a sair do carro e à sua espera alguns populares que o acompanharam até ao interior do Cine-Teatro. Muitos deles tinham vindo em autocarros de concelhos vizinhos como Resende e Lamego (norte do distrito de Viseu). Foram eles que durante as quase duas horas de discursos aplaudiram os intervenientes, mesmo quando actuais e antigos presidentes de câmara falaram. Foram eles que esperaram pelos 40 minutos de discurso do secretário-geral para no final o poderem cumprimentar. E à saída, os militantes e simpatizantes rodearam o carro de António José Seguro que entre beijos e abraços acabou por subir ao tejadilho da viatura para agradecer o apoio. Antes de arrancar para Bragança, ainda recebeu a solidariedade de alguns autarcas do distrito que compareceram em S. Pedro do Sul e assinou a um militante o seu livro “Compromissos para o Futuro”.

Desde que a campanha para as eleições primárias no PS, marcadas para 28 de Setembro deste ano, se iniciou, esta foi a primeira vez que António José Seguro esteve no distrito de Viseu. Na semana passada foi a vez de António Costa que optou por fazer o encontro com militantes e simpatizantes em Mangualde, num auditório do complexo paroquial. O candidato chegou a pé acompanhado pelo presidente da Câmara local e presidente da Federação Distrital do PS com quem antes tinha estado numa cerimónia nos Bombeiros e foi aclamado à entrada do auditório por militantes e simpatizantes que, de punho erguido, gritavam PS. Assim foi durante o discurso e à saída. Costa regressou a pé para a viatura, acompanhado por apoiantes mais próximos. Em Mangualde, o presidente da Câmara de Lisboa juntou aproximadamente o mesmo número de apoiantes que estiveram ontem com António José Seguro em S. Pedro do Sul, embora o secretário-geral tenha reunido consigo o apoio da maioria dos presidentes de câmara eleitos pelo PS.

A uma presença e um discurso mais comedidos de Costa há uma semana, Seguro apresentou-se ontem com uma atitude de proximidade com os militantes e um discurso entusiasmado.

Nenhum dos candidatos escolheu Viseu, a capital do distrito, para fazer campanha. A Federação Distrital do PS optou por não tomar partido e o presidente, João Azevedo, esteve presente nos dois comícios em nome da “unidade”, apesar de ser conhecido o seu apoio a Costa.

Os dois candidatos dirigiram os seus discursos para o Interior do país, mas enquanto António Costa falou deste território enquanto parte de um país que deverá estar virado para o mercado ibérico e para a Europa, António José Seguro fez o retrato de um Interior pobre e a precisar de medidas de “discriminação positiva”. “Defendo a cobrança de menos impostos para as empresas que se criem no interior desde que criem empregos”, afirmou.

Em Mangualde, António Costa apresentou a sua agenda para uma década que assenta no reforço da coesão social, na modernização, na valorização dos recursos portugueses e no investimento na cultura, ciência e educação. Em S. Pedro do Sul, António José Seguro prometeu que se for eleito primeiro-ministro vai repor “de imediato as pensões e reformas aos idosos do país”.

Em comum, os dois candidatos querem que o Partido Socialista seja a “alternativa” ao governo de direita que “empobrece” os portugueses.