Trabalhadores dos call center já têm sindicato legalizado

Nova estrutura foi criada em finais de Abril e regularizada em Junho. Em curso, está já uma petição para que esta profissão seja considerada de desgaste rápido.

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O SCTT ainda não tem sede e não avançou para pedidos formais de reuniões com as empresas Rui Gaudêncio

Sem estar afecto às duas maiores centrais sindicais, CGTP e UGT, o Sindicato dos Trabalhadores de Call Center (STCC) vai realizar as primeiras eleições em Setembro e é liderado, por enquanto, por uma comissão instaladora composta nove membros. Além de querer ter 200 trabalhadores sindicalizados até ao Natal, o SCTT está já a lançar uma petição onde defende que a profissão de operador de call center seja considerada de desgaste rápido. “Estamos neste momento a começar o processo de sindicalização, a fazer uma campanha e a desenvolver uma petição para que esta seja considerada uma função de desgaste rápido. Queremos que o assunto seja discutido em Assembleia da República, para que haja uma “menor carga fiscal e acesso à reforma mais cedo”, diz ao PÚBLICO Pedro Fortunato, um dos membros da comissão instaladora.

Outra das reivindicações prende-se com a organização das horas de trabalho. “Queremos que das oito horas laborais, apenas seis sejam de trabalho em linha. As restantes deveriam ser destinadas a formação e a outras áreas da profissão”, sintetiza.

O SCTT ainda não tem sede e não avançou para pedidos formais de reuniões com as empresas. A primeira assembleia que deu origem a esta estrutura sindical foi organizada por um grupo de trabalhadores, a 26 de Abril. A intenção é “dignificar” uma profissão vista como precária e mal paga e exercida por 50 mil portugueses, de acordo com números da Associação Portuguesa de Contact Centers. O SCTT nasceu de um boletim distribuído por trabalhadores, o “Tás Logado” (expressão usada para questionar se o funcionário está pronto para iniciar o trabalho) onde se abordava a criação de um sindicato único e questões relacionadas com a saúde e condições laborais.

O recrutamento para os call centers é feito, sobretudo, por empresas de trabalho temporário e, de acordo com o relatório anual do Provedor da Ética Empresarial e do Trabalhador Temporário – cargo ocupado por Vitalino Canas – os pedidos de ajuda em 2012 não foram além dos 102, menos 20% do que no ano anterior e o número mais baixo desde 2008. O advogado acredita que as dificuldades em entrar no mercado de trabalho e o receio de perder o emprego podem ajudar a explicar a redução do número de queixas.

Entre os temas mais abordados pelos trabalhadores estão dúvidas sobre os créditos laborais, compensações devidas quando o contrato cessa e retribuição. As alterações ao Código do Trabalho na área das compensações trouxe “evidentes dificuldades no cálculo de algumas parcelas, levando os trabalhadores a solicitar esclarecimentos”, lê-se no relatório.