“Da parte do PSD existe total disponibilidade para se sentar com o PS”

Marco António Costa afirma que o PSD quer cumprir o apelo ao diálogo do Conselho de Estado, procurando acordos com o PS, embora rejeite a posição dos socialistas sobre a renegociação da dívida.

Foto
Nuno Botelho, da Associação Comercial do Porto, participou na reunião entre Rui Moreira e Marco António Costa Fernando Veludo/NFactos

O coordenador da comissão política nacional dos sociais-democratas, Marco António Costa, afirmou nesta sexta-feira no Porto que, “da parte do PSD, existe total disponibilidade para se sentar com o PS, para estabelecer o máximo de entendimentos possível sobre matérias de relevância para o país”, e dar assim “concretização à recomendação do Conselho de Estado” que exortou todas as forças políticas e sociais a "empenharem-se na obtenção de entendimentos quanto aos objectivos nacionais”.

O dirigente nacional do PSD falava no Porto, no final de um encontro com o presidente da câmara, o independente Rui Moreira – com quem o aparelho social-democrata, que apoiou a candidatura de Luís Filipe Menezes nas autárquicas de 29 de Setembro, travou então um combate político feroz. E Marco António Costa não hesitou em apresentar este almoço no Porto com o adversário autárquico de há nove meses - anunciado ao final da manhã de quinta-feira -  já como uma “concretização da recomendação do Conselho de Estado”, no sentido do diálogo entre todas as forças políticas e sociais. O presidente da Associação Comercial do Porto também participou no almoço.

Insistindo que o PSD sempre se preocupou em “deixar permanentemente em aberto todos os canais de diálogo, com o PS, com os parceiros sociais, com os agentes económicos e com o poder local, Marco António Costa afirmou que o país, concluído o programa de assistência financeira internacional, está a entrar numa “nova etapa”. Agora, desenvolveu, é o momento “em que se fala de crescimento da economia, do emprego, das exportações, de esperança”. E em que se apela “à responsabilidade de todos os partidos, para se colocarem do lado das soluções”.

O também porta-voz do PSD não negou, contudo, que vê o diálogo com os socialistas como “difícil”, embora “possível e necessário”. Questionado se o próprio impasse registado no Conselho de Estado relativamente à inclusão da expressão “diálogo inter-partidário” no comunicado final, que o líder do PS conseguiu retirar do documento, não prenunciava já que o diálogo seria muito difícil, Marco António Costa respondeu de forma sucinta: “Julgo que sim. Se fosse fácil, já tinha acontecido”.

Aliás, para o dirigente do PSD, a única vez em que o PS se dispôs a um entendimento com o Governo ocorreu a propósito da reforma do IRC, e tal só aconteceu porque “os parceiros sociais conseguiram convencer” os socialistas. Recordado que os parceiros sociais e o PS também estão de acordo com o aumento do Salário Mínimo Nacional e que é o Governo que não está ainda convencido, comentou que “esse é um processo ainda em curso", por cuja conclusão "devemos aguardar”.

Questionado ainda se imputava ao PS a responsabilidade pela falta de entendimento em relação ao futuro do país no pós-troika, o coordenador da comissão política do PSD – que nunca se referiu à disputa interna pela liderança no PS – avisou que não pretendia dizer nada que pudesse prejudicar um “clima favorável” ao diálogo. Preferiu elogiar a atitude dos parceiros sociais, observando que, mesmo quando discordando e criticando do Governo, “têm estado à altura das suas responsabilidades”.

Marco António Costa também deixou claro que o PSD não acompanha as posições do PS sobre a renegociação da dívida, questão que os socialistas também levaram à reunião do Conselho de Estado de quinta-feira. “O modelo e a forma como o PS apresenta a questão não tem exequibilidade prática nos próximos anos (…) O que temos feito é apoiar a acção do Governo que, em 2012 e 2013, conseguiu renegociar os empréstimos que a troika tinha feito a Portugal, baixando a taxa média de juro para metade e prolongando o prazo de pagamento para o dobro do que estava previsto”. Com isto, declarou o porta-voz do PSD, o Governo conseguiu “mais de 40 mil milhões de euros de poupança (…) Conseguiu-o com serenidade e descrição, e não na praça pública, aos berros”.

“O PSD não é oposição no Porto”
Marco António Costa também afirmou ontem que “o PSD não é oposição no Porto”. “É um partido que gosta de estar do lado das soluções”, disse o dirigente, acrescentando que o PSD não esquece “o património político” dos 12 anos de gestão camarária de Rui Rio. Recorde-se que Rio, nas últimas autárquicas, acusou o PSD de renegar esses 12 anos ao escolher Menezes como candidato.

Marco António Costa também disse que Rui Moreira “tem procurado valorizar o projecto de Rio, dando-lhe novas dimensões e o seu cunho pessoal”. Admite o PSD apoiar uma recandidatura de Moreira? “Não vou responder a isso (…) Seria transformar um acto benigno numa coisa mesquinha. O que está a acontecer aqui é muito superior ao jogo político”. Segundo Rui Moreira, tratou-se de uma troca de impressões acerca de matérias - nas áreas das infra-estruturas, transportes, turismo e coesão social - que só evoluirão favoravelmente para o Porto se a cidade conseguir gerar consensos com outras câmaras, agentes económicos e partidos políticos. “O PSD é muito relevante na cidade e na região e sempre dissemos ter muito respeito pelos partidos”, disse o autarca independente.