Crónica de jogo

Dois erros bastaram para a França tombar os campeões africanos

Uma má saída de Enyeama e um autogolo de Yobo garantiram a vitória da França sobre a Nigéria (2-0) e a passagem dos gauleses aos quartos-de-final do Mundial.

Enyeama fez quase tudo para impedir a vitória da França
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Enyeama fez quase tudo para impedir a vitória da França David Gray / Reuters

O Estádio Mané Garricha, em Brasília, foi o palco da abertura do terceiro dia de oitavos-de-final e do jogo no qual o Mundial superou em golos marcados a última edição da África do Sul.

As equipas escaladas pelos técnicos Didier Deschamps e Stephan Keshi não trouxeram consigo surpresas mas, quem dos quase 68 mil adeptos presentes no estádio esperava que os gauleses começassem desde cedo a fazer valer o seu suposto favoritismo, saiu surpreendido.

A Nigéria, primeira selecção africana a alcançar os oitavos-de-final do Mundial por três ocasiões, entrou na partida determinada a fazer história. Afinal, uma vitória frente aos gauleses significaria os primeiros quartos-de-final dos campeões africanos em título e a primeira eliminação da França nos oitavos-de-final da prova em mais de 80 anos.

Numa primeira parte muito disputada, foram mesmo os nigerianos que estiveram mais perto de inaugurar o marcador. Emenike, nos últimos dias associado ao Chelsea de José Mourinho, chegou a introduzir a bola na baliza de Lloris, mas o lance foi invalidado pelo auxiliar do juiz Mark Geiger, por alegado fora-de-jogo (19’).

O lance serviu para a França reagir e uma boa jogada iniciada e concluída por Pogba obrigou Enyeama à primeira de várias boas intervenções no encontro (22’).

O intervalo acabaria por chegar e, à semelhança dos últimos 11 jogos, sem a França sofrer qualquer golo na primeira parte.

Contudo, e depois de um início de segundo tempo favorável à Nigéria, o técnico francês Didier Deschamps, vendo a sua invencibilidade em Mundiais ser ameaçada, retirou do campo Giroud para colocar Griezman (62’).

Oito minutos antes, uma entrada dura de Matuidi sobre Onazi obrigara à saída forçada do jogador da Lazio e a França passou a tomar conta dos acontecimentos.

Benzema, cuja condição física foi questionada nos últimos dias a propósito do Ramadão, começou por permitir a mancha de Enyeama, num lance que contou ainda com um corte em cima da linha de Moses (70’). Foi a melhor oportunidade do segundo tempo e a primeira de várias que se seguiriam.

Um alívio incompleto permitiu a Cabaye encher o pé, acertando na barra da baliza nigeriana. Foi a sexta vez no Mundial que a França acertou nos ferros das balizas adversárias (77’). E, dois minutos depois, Benzema, agora de cabeça, voltou a dar trabalho a Enyeama (79’).

Contudo, aquela que aparentava ser mais uma imaculada exibição de “Eddie”, como é apelidado o guarda-redes do Lille, acabaria manchada por um erro fatal. Valbuena colocou a bola na área e Enyeama falhou a defesa, colocando-a na cabeça de Pogba (80’). Era o terceiro golo do médio da Juventus ao serviço da selecção e o 146.º da “Copa” do Brasil que, com 11 jogos ainda por disputar, superava o registo da edição da África do Sul, em 2010.

Já nos descontos, e depois de Griezman ter obrigado Enyeama a nova grande defesa (84’), o extremo lançado por Deschamps deixou passar o centro rasteiro de Valbuena que acabaria desviado por Joseph Yobo para o fundo da própria baliza.

O capitão, a superar o registo de Jay Jay Okocha como o nigeriano mais internacional de sempre em Mundiais com dez internacionalizações, fez da França o primeiro país na história da prova a beneficiar de dois autogolos numa só edição do Campeonato do Mundo. Texto editado por Jorge Miguel Matias

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