Mesmo isolado, Cameron insiste que Juncker é a "pessoa errada" para dirigir a Comissão

Líderes dos Vinte e Oito vão votar nesta sexta-feira o nome do candidato a sucessor de Durão Barroso.

“É absolutamente vital que as pessoas vejam que faço aquilo que digo”, afirmou David Cameron
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“É absolutamente vital que as pessoas vejam que faço aquilo que digo”, afirmou David Cameron Francois Lenoir/REUTERS

Ainda que a batalha seja dada como perdida, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, fez questão de demonstrar a sua oposição à nomeação de Jean-Claude Juncker como sucessor de Durão Barroso até à entrada para a cimeira onde os líderes dos Vinte e Oito vão discutir o nome do presidente da Comissão Europeia. “Juncker é a pessoa errada para dirigir esta instituição”, afirmou.

Do seu lado, Cameron tem apenas o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que garante que não irá apoiar quaisquer “subterfúgios” para alterar os tratados europeus – com isto está a referir-se à forma de selecção do presidente da Comissão. Até agora era escolhido pelos chefes de Governo dos Estados mas, desta vez, o Parlamento Europeu (PE) conseguiu impor outra forma de escolha: o presidente da Comissão será o candidato do partido mais votado nas eleições europeias e esse é Juncker. Alguns governos consideram que o PE está a ultrapassar os seus poderes.

Cameron avisou os seus homólogos quinta-feira ao jantar que a discussão desta tarde na cimeira será “dura” – embora os eventuais aliados na oposição a Juncker, um federalista mal visto pelo Reino Unido, tenham abandonado Londres, o primeiro-ministro britânico não pode deixar de fazer uma grande oposição. Assim o exige a pressão cada vez maior dos eurocépticos na política britânica, tanto no seu próprio partido, como do UKIP de Nigel Farage, que ganhou as eleições europeias de Maio no Reino Unido.  

“É absolutamente vital que as pessoas vejam que faço aquilo que digo”, afirmou David Cameron. O primeiro-ministro britânico vai forçar os outros líderes a votar o nome de Juncker – quando as decisões normalmente são tomadas por consenso –, apesar de reconhecer que vai perder a votação.

Mas se Cameron perdeu aliados na sua luta contra Juncker, isso não quer dizer que os outros líderes não estejam dispostos a estender-lhe a mão. “Podemos chegar a um compromisso e dar um passo de aproximação ao Reino Unido”, insistiu a chanceler alemã Angela Merkel. “Cameron e o povo britânico têm amigos na UE. Queremos que fiquem na UE”, afirmou o primeiro-ministro sueco Fredrik Reinfeldt, que há dois dias abandonou Londres na sua oposição a Juncker.

“Podemos compreender” a posição britânica, “o seu ponto de vista é respeitável, mas não podem bloquear sozinhos os outros 26 ou 27 países que estão de acordo”, afirmou o primeiro-ministro socialista belga Elio Di Rupo.