Paulo Bento: "Tivemos aquilo que merecemos"

Seleccionador faz "balanço negativo" da campanha portuguesa no Brasil.

Paulo Bento já tem os seus pensamentos no play-off
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Paulo Bento já tem os seus pensamentos no play-off Francisco Leong/AFP

É um “balanço negativo” que Paulo Bento faz da participação portuguesa no Mundial 2014, que chegou esta quinta-feira ao fim, apesar da vitória por 2-1 frente ao Gana.

“Tivemos aquilo que merecemos” ao longo dos três jogos da fase de grupos, disse o seleccionador nacional, logo após a partida.

Para o treinador da selecção, a equipa ficou “demasiado condicionada pelo primeiro jogo” – derrota por 4-0 com a Alemanha. “A reacção teve algo de positivo, quer contra os EUA, quer hoje”, afirmou Bento. O técnico considera que "não foi por falta de empenho nem de atitude" que a selecção falhou o objectivo fixado de alcançar os oitavos-de-final do Campeonato do Mundo.

"Valemos mais do que aquilo que produzimos", disse ainda o seleccionador nacional. 

Em relação à continuidade no comando técnico da selecção, Paulo Bento garantiu que a sua postura - de cumprir os restantes dois anos do contrato - se mantém, tal como já havia referido antes do jogo contra o Gana.

Quanto ao jogo que Portugal venceu, mas por uma margem insuficiente para obter a qualificação, Paulo Bento considera que a equipa criou “oportunidades suficientes, na primeira parte, para fazer um resultado mais volumoso”.

Já na conferência de imprensa, o técnico rejeitou atribuir culpas individuais. “Jamais colocarei a responsabilidade em cima de alguma individualidade, seja quem for”, disse.

Paulo Bento abordou ainda o futuro da selecção – que tem no horizonte a qualificação para o Campeonato Europeu de 2016, em França. Sem nunca falar em nomes, o seleccionador colocou muita ênfase na estabilidade do grupo, que tem pautado o seu mandato. “Esta selecção tem mantido uma estabilidade, até mesmo no seu onze, de 2010 para cá”, notou o técnico, deixando uma nota clara: “Não tenho a tentação de ser ingrato para gente que deu tanto.” A haver mudanças, estas serão feitas “de forma progressiva e gradual” e a idade não será um factor de exclusão. “Poderá haver opções no futuro, mas o que nunca farei é fechar as portas a que a muita gente deu muito trabalho para abrir”, sublinhou.

Cristiano Ronaldo recebeu o prémio de Melhor Jogador da partida e fez uma curta declaração, sem direito a perguntas. "Foi um jogo em que tentámos ganhar, criámos muitas oportunidades e não conseguimos concretizar", disse o extremo, que marcou um dos golos da vitória. "Pelo nível de oportunidades que criamos merecíamos um bocadinho mais", acabou por concluir.

As declarações do Bola de Ouro após o empate com os EUA foram vistas no balneário português com alguma prudência. Ronaldo disse na altura que considerar Portugal como candidata ao título era uma ilusão. “São declarações depois de um jogo que não tinha corrido bem, não sei se era bem o que ele queria dizer, têm de lhe perguntar”, afirmou João Moutinho.

Confrontado com as mesmas palavras, Hélder Postiga referiu que as declarações de Ronaldo talvez tenham sido mal interpretadas. “Não é tempo para arranjar picardias”, sublinhou o avançado.

Para Nani, o objectivo "era sair com a cabeça erguida", caso a qualificação não fosse conseguida. "Sabíamos que era difícil, mas entrámos com determinação", sublinhou o extremo do Manchester United, que reconheceu alguma ansiedade entre os jogadores portugues em conseguir os golos necessários para a qualificação. Nani referiu ainda que Paulo Bento "tem feito um bom trabalho, apesar da eliminação".

Bruno Alves também falou no final da partida para se dizer “orgulhoso por ser português e pelos jogadores” da selecção. “Somos os mesmos jogadores que disputaram a qualificação”, lembrou o defesa central.

“Estou orgulhoso de ser português e de ter demonstrado o nosso futebol no Brasil”, concluiu o jogador do Fenerbahçe.