Ronaldo foi o melhor no jogo da despedida

A análise individual dos internacionais portugueses que jogaram contra o Gana.

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Cristiano Ronaldo marcou finalmente Evaristo Sá/AFP

Cristiano Ronaldo foi considerado pelo PÚBLICO como o melhor jogador português na partida com os ganeses. As notas atribuídas vão de 0 a 10.

Beto (6)
Foi a última vítima da “praga” de lesões que se abateu sobre a selecção portuguesa no Brasil. Nos derradeiros minutos da partida começou a coxear e teve mesmo de ser substituído por Eduardo. Na primeira parte fez uma grande defesa que ajudou a manter o 0-0: com os pés desviou o remate de Gyan. Os defesas nem sempre o ajudaram.

João Pereira (5)
Foi o primeiro de quem Paulo Bento abdicou, pouco depois de o Gana restabelecer a igualdade no marcador. Irregular, melhor a atacar do que a defender, o lateral direito não foi parte da solução. Assistiu Cristiano Ronaldo num cabeceamento perigoso (19’) mas despede-se do Brasil sem uma exibição convincente.

Bruno Alves (5)
Em várias ocasiões deu a impressão de que estava desconcentrado. O defesa central não foi a habitual voz de comando no sector mais recuado. Aos 61’ dividiu as culpas com Miguel Veloso num lance em que Waris pôde cabecear à vontade – e só não colocou o Gana em vantagem porque falhou a baliza.

Pepe (6)
Regressou à titularidade depois deter cumprido castigo no encontro contra os EUA em Manaus. O episódio com Müller não o marcou e conseguiu ser mais consistente do que Bruno Alves. Não se deixou intranquilizar pelos apupos com que foi brindado pelas bancadas no início do jogo.

Miguel Veloso (5)
A assistência para o golo na própria baliza de Boye apenas disfarça uma má exibição do internacional português. Adaptado ao lado esquerdo da defesa, dadas as ausências de Fábio Coentrão e André Almeida, sentiu muitas dificuldades tanto com Atsu como com Ayew e deixou Gyan cabecear à vontade (57’) para o 1-1.

William Carvalho (6)
Estreou-se a titular em fases finais do Campeonato do Mundo naquele que foi o seu sexto encontro com a camisola da selecção nacional. De início esteve precipitado em certas decisões, mas superado o nervosismo inicial partiu para uma exibição segura e competente. Será uma pedra fundamental da equipa portuguesa nos próximos anos.

Rúben Amorim (6)
Foi a novidade reservada por Paulo Bento para o encontro decisivo de Brasília. Ocupou o lugar que tem sido de Raul Meireles no meio-campo e cumpriu. Rematou a centímetros da baliza ganesa (34’). No segundo tempo foi obrigado a recuar para lateral direito após a substituição de João Pereira, aos 61’, mas continuou a envolver-se bem no ataque.

João Moutinho (7)
Foi omnipresente. Tanto a ajudar a defesa como a lançar o ataque, o médio do Mónaco foi incansável. Apesar de muito castigado com faltas pelos adversários, não se deixou intimidar. A sua acção foi fulcral no primeiro golo do encontro (31’): colocou a bola em Miguel Veloso e depois pressionou Boye, forçando o erro do defesa ganês.

Nani (6)
Com altos e baixos, acabou por desempenhar um papel importante no lance que valeu a vitória à selecção portuguesa: foi dele o cruzamento para a área, após o que Mensah e Dauda comprometeram e deixaram a bola à disposição de Cristiano Ronaldo (81’). Antes, as suas ameaças tinham sido inconsequentes, com os seus remates a irem para fora ou a serem interceptados.

Cristiano Ronaldo (7)
Ainda estava “em branco” neste Mundial e o seu contributo seria decisivo para alimentar as expectativas de a equipa portuguesa avançar para os oitavos-de-final. Cumpriu metade da missão: marcou o tão desejado golo que lhe permitiu tornar-se no primeiro português a fazer golos em três fases finais do Campeonato do Mundo, mas desperdiçou várias outras oportunidades que dariam o resultado volumoso que era necessário, até porque a Alemanha bateu os EUA. O golo apontado em Brasília foi o 50.º que apontou com a camisola da selecção portuguesa em 114 partidas disputadas. Para além do golo, acertou na trave da baliza ganesa logo aos cinco minutos de jogo. Foi o mote para o longo duelo que protagonizou com o guarda-redes Dauda, que foi um dos responsáveis por não haver uma goleada. Os remates de Cristiano Ronaldo foram distribuídos por toda a partida e terminou o jogo com o mais rematador do lado português, com nove disparos – sete deles enquadrados com a baliza ganesa.

Éder (5)
Andou desaparecido do encontro e, sem surpresa, foi rendido por Vieirinha quando a selecção procurava desesperadamente os golos que valessem a qualificação. O avançado luso-guineense nunca conseguiu impor a sua presença aos possantes defesas ganeses. Aos 20’, em boa posição, falhou o cabeceamento.

Silvestre Varela (6)
Primeira opção lançada por Paulo Bento a partir do banco, não foi capaz de ser tão preponderante como em jogos anteriores, nomeadamente frente aos EUA. Mesmo assim, ameaçou Dauda (84’) e já no tempo de compensação ofereceu um golo a Cristiano Ronaldo, mas este fez a bola passar a centímetros da baliza.

Vieirinha (sem nota)
Esteve 21 minutos em campo sem ter deixado nada digno de registo. Não foi capaz de ajudar a selecção portuguesa no derradeiro assalto à baliza defendida por Dauda. As estatísticas da FIFA dão-lhe zero remates e apenas uma falta sofrida. Pedia-se mais, muito mais.

Eduardo (sem nota)
Estreou-se neste Campeonato do Mundo quando já nem ele próprio esperaria. Obrigado a equipar-se à pressa e entrar em campo para render o lesionado Beto, segurou as pontas nos minutos finais da partida. Com ele, 21 dos 23 convocados de Paulo Bento somaram minutos no Brasil.